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23 de maio de 2015

Café Turco - Guto Castro



Então, esse livro aqui eu descobri enquanto vasculhava o setor de "livros" [risos] da Chiado Editora, nossa parceira. Eu queria justamente escolher um livro para resenhar que fosse não somente interessante, mas que tivesse também uma capa legal - sim, eu escolho livros pela capa. Então, faça capas legais, senhor autor.

De qualquer modo, Café Turco me chamou atenção por, primeiro, ter uma capa com uma xícara de café e eu adoro cafés. E segundo lugar, o nome ser Café Turco: além de café, eu também acho a cultura oriental [meio a meio, no caso Turco, huehue] bem legal e já tinha lido algumas coisas sobre a Turquia, então fiquei bem curiosa.

Acho que o livro cumpriu o que eu esperava dele; tirando algumas coisas meio... Imperdoáveis. Vamos à resenha, sem mais delongas.

"Na Turquia o café é servido sem ser coado e a borra que no fundo cai, revela mais do que o simples desenho que se forma. Passado, presente e futuro se fundem e colocam Ibrahim e seu irmão numa Turquia que vai muito além das aparências e pontos turísticos. Uma viagem que mudaria para sempre a vida dos dois e sabe-se lá de quem mais...".

Guto Castro.
Chiado Editora.
2015, Abril - 1ª Edição.







Então. Como eu havia dito mais acima, procurava por um livro no catálogo da Chiado Editora para ler e resenhar. Admito que não conheço muito as obras que a editora publica ou, enfim, os autores brasileiros dela [exceto pelo Dener B. Lopes, a Raquel Pagno e outros dois -q]. Dessa forma, tive que fazer o que eu normalmente faço nas livrarias:

Vejo uma capa legal. Leio o título. Se me agradar, abro uma nova guia com as informações do livro e vejo se vale a pena ser lido. Senão, continuo nessa minha seleção até achar um que agrade de verdade.

Eu tenho que dizer que Café Turco me chamou MUITA atenção pela capa [adorei essa xícara gente, sério. Vou até agora na cozinha pegar um cafézinho pra mim -q] e pelo título. Afinal de contas, além de ter café, também tem 'turco' e normalmente o que tem 'turco' é muito interessante - pelo menos pra mim. E eu, coincidentemente, estava ensinando a minha irmã sobre o Império Turco-Otomano. Considerei coisa do destino, pedi o livro e... Digamos que minhas expectativas tenham sido 40% supridas.

[É uma bela capa de café]

Para começar, eu gostei dos personagens. Começamos acompanhando o irmão do Ibrahim, que, aliás, não tem nome. Sério. O cara não tem nome. Durante todas as 205 páginas de história, eu não li uma única vez o nome do dito cujo. Na realidade, parando para pensar, acho que só "comecei" a ler nomes quando o Irmão-do-Ibrahim desembarcou na Turquia. Antes disso, nada de nomes. Isso me deixa um tanto quanto angustiada, porque eu realmente gosto de saber com quem estou lidando e quando o personagem não tem nome eu não crio nenhum vínculo com ele ou, enfim...

Apesar de que não há muitos personagens no livro, e isso é um ponto legal. Gosto de livros com poucos personagens, que são bem aproveitados e utilizados ao longo da trama. De qualquer modo, vamos chamar o Irmão-do-Ibrahim de "Marcelo", porque eu quero e porque ficar escrevendo Irmão-do-Ibrahim cansa e enche o saco.

Logo nas primeiras páginas, nós acompanhamos o Ibrahim e o "Marcelo" se dirigindo ao hotel onde iriam ficar na Turquia. Gostei muito mesmo desse começo e das muitas visitas a pontos turísticos do local, porque ficaram recheados de história e de informações inteligentes e eu simplesmente amo esse tipo de livro [Dan Brown -qq].

O autor mostra de uma forma muito agradável a cultura do local; desde o comportamento dos turcos no período do Ramadã, até as construções, comida, clima... Enfim. Ele soube construir de forma fantástica o clima da Turquia, colocando o leitor em toda a situação como se ele realmente estivesse no país! Eu acho isso fantástico, e adoro quando o autor consegue chegar a esse estado sem entupir o livro de detalhes desnecessários ou, enfim, enrolar infinitamente para dizer o que pretende.



Acho que, infelizmente, essas foram as únicas partes que realmente gostei da história. Quer dizer, tem toda a trama com a mãe do Ibrahim [seria spoiler contar isso aqui. O legal dessa trama é, durante a leitura, descobrir o que há com ela e, enfim, com toda a família do Ibrahim e do "Marcelo"], a coisa das cartas [que eu achei muito tocante], e a própria história das viagens pelo mundo - livros assim sempre me dão uma vontade louca de viajar #chateada - mas... Havia pontos no livro que realmente não deu para ignorar.

Eu vi que o próprio Guto Castro revisou seu livro, e isso fez minha hipótese se tornar uma teoria [pra quem não sabe, teoria não é um troço "hipotético" ¬¬]. Acontece que eu vi MUITAS frases com pontuação errada [virgulas separando sujeito de verbo... Enfim, coisas que, pra mim, são imperdoáveis], muitas frases mal formuladas, palavras desconexas, alguns erros de digitação... Ou seja, o autor não é burro, claro, mas acontece que depois de ler tantas vezes o próprio texto, a gente acaba deixando passar uma coisa ou outra. É normal. Sempre acontece. Só que ao invés de você revisar, sozinho, normalmente manda-se o livro para alguém de confiança, um amigo, um revisor por fora... Qualquer pessoa.

Mas vir com erro não dá.

Essas coisas me deixaram muito, muito irritada com o livro que parecia tão maravilhoso. Eu via aquelas pontuações e ficavam "hm..." ou então lia uma frase muito mal formulada e precisava até reler para tentar entender. E foi aí que pensei: "ele provavelmente não usou o revisor da editora e acabou deixando passar esses erros". Isso é normal, claro, autores são humanos e ficam com sono, cansados ou normalmente deixam passar essas coisas.

Só que não posso deixar de lado essas coisas numa resenha.



Enfim. Além disso tudo, houve... um romance mega clichê. Que droga. Estava tudo indo de forma maravilhosa: os pontos turísticos, a coisa histórica, a viagem... Até que veio o romance clichê como se desse um tapa em mim e dissesse: "estava achando bom?! Agora sofre!".

Eu odeio romance clichê. Odeio. Com todas as minhas forças. Odeio essa coisa de "ai meu Deus, você é tão maravilhosa e eu já estou chorando porque sinto tanto sua falta e fiquei preocupada, sendo que te conheci ontem". Odeio muito mesmo.

Isso, claro, fez com que eu passasse a ler cada vez mais rápido para terminar a coisa toda de uma vez. Preciso admitir que achei a história da Fulana do romance muito interessante, mesmo, e adoraria se o autor tivesse aprofundado em algo do tipo... Mas isso não aconteceu.

Acho que o que salvou a história foi metade do final. A outra metade não gostei. Mas essa metade... Ficou surpreendente - eu não esperava por isso mesmo - e fez todo o sentido. Gostei muito mesmo; todo mérito ao autor!! Apesar do romance clichê.

Fora toda essa coisa de enredo, personagens e tudo mais, queria dizer que adorei as páginas. Muito macias, com letras boas. Enfim.

25 de abril de 2015

Insurgente, o Filme





É, sei que estreou há algum tempo, mas eu preciso admitir que não era o filme que eu mais queria ver na face da Terra depois de ouvir tantos comentários negativos. Acho que eu ouvi tantas coisas - desde "A Tris ficou horrível de cabelo curto" até "o filme não tem nada a ver com o livro" e "uma bosta" - que isso meio que me deixou cabrera com o filme.

De qualquer forma, após ver Cinderella, eu e a família resolvemos ver Insurgente, ao invés de Vingadores, o que me deixou meio triste.



Eu acho meio impossível alguém NÃO SABER do que se trata Insurgente/a trilogia Divergente, como um todo, mas sempre existe alguém assim, então eu farei o favor de explicar:

Divergente é uma trilogia distópica que fala sobre a cidade de Chicago, que é dividida em um sistema de facções. Há cinco delas: Audácia [onde as pessoas usam preto e são tão corajosas que se atiram de trens em movimento, correndo o risco de quebrarem seus pescoços]; Amizade [onde as pessoas usam vermelho e amarelo e parecem "amaconhadas" o tempo inteiro]; Abnegação [onde as pessoas usam cinza e são tao altruístas que praticamente não têm opinião/vontade própria]; Erudição [onde as pessoas usam azul e são tão inteligentes e eruditas que se acham arrogantes]; e Franqueza [onde as pessoas usam preto e branco e são tão francas que chegam ao nível da falta de sensibilidade para com o colega].

Nessa sociedade, você só pode pertencer a uma dessas facções. Os que têm características para mais de uma são chamados Divergentes, e há vários níveis de divergência. Para a sociedade, eles são um perigo. Beatrice Prior, a protagonista, é uma divergente - entre audácia, erudição e abnegação - e aos 16 anos escolhe ficar na Audácia, contrariando seus pais, da abnegação, e seu irmão Caleb, que parte para a Erudição.

Acontece que, em Divergente, as coisas ficam meio feias porque o povo da erudição se acha mais inteligente e qualificado para o poder e resolve tomar o poder à força, controlando com um soro de simulação os integrantes da Audácia e fazendo todos materem o povo da abnegação. Nisso, a Tris - que é divergente, e por isso não é controlada - salva seu namorado Tobias [Four] e, depois de muitas perseguições, mortes e cenas de luta, acaba vendo a mãe morrer e mata seu amigo, Will, que estava sendo controlado pela simulação.

Eles pegam o trem e fogem para a Amizade.

E é aí que começa nosso filme.


É, claro, nós que lemos o livro somos chatos porque ficamos comparando uma coisa com a outra, e isso não tem nada a ver porque o filme não pode ter tudo o que tem o livro, porque senão as pessoas ficariam 8h sentadas no cinema... MAS VAMOS LEMBRAR QUE É UMA ADAPTAÇÃO, OK? E O PAPEL DE UMA ADAPTAÇÃO É ADAPTAR O LIVRO PRO FILME. E NÃO MUDAR COISAS SEM SENTIDO.

Obrigada.

A minha revolta tem sentido, povo humano que me lê agora, porque sinceramente, Insurgente foi um filme relativamente nada a ver com o livro. Mas vamos começar por partes:

Em primeiro lugar, temos nosso digníssimo elenco. A mesma Tris de sempre, o mesmo Tobias de sempre, a mesma Jeanine de sempre... O povo permanece sendo o mesmo, e os novos do elenco [como a Octavia Spencer, que fez aquela maluca lá líder da Amizade, cujo nome e participação é tão insignificante nesse livro que eu sinceramente ignorei completamente sua identidade] fizeram muito bem seus respectivos papeis.

Agora...

Começamos com a fazenda da Amizade; lugar bonito, calmo, cheio de "hippongas" vestindo vermelho e amarelo [péssima combinação de cores, aliás. Odeio] e agindo como se cagassem pro que acontece em Chicago - porque, na realidade, eles cagam mesmo.

E é aí que está o problema. Todos nós que vimos/lemos o Divergente, sabemos que cada facção possui um soro especial: Abnegação - soro da memória; Franqueza - soro da honestidade; Erudição - soro da morte; Audácia - soro da simulação... E amizade - soro da paz.

Cadê o raio do soro da paz nesse filme? [Ele aparece no livro, gatos, e é importante porque ele mostra que a querida Johanna (?) é tão manipuladora quanto a Jeanine].

Essa foi a primeira questão que me veio à mente enquanto via o filme. A segunda questão foi: por que a Tris está querendo dar porrada em todo mundo? Gente, a garota fica tão relax no segundo livro.

[Observem essa Tris. Que garota louca. E, pelo que me lembro do segundo filme, ela não fica loucona querendo bater em todo mundo não. ALIÁS, ESSAS SIMULAÇÕES PRA ABRIR A "CAIXA" NEM EXISTEM, RISOS].

Essa foi outra coisa que eu não podia deixar passar. A Tris, em Insurgente, passa por uma mudança de personalidade forte. É a transição dela da "garota de cabelos grandes da Abnegação" para a "garota de cabelos curtos, Divergente". Ela não quer dar na cara de todo mundo; ela fica muito mais madura.

Então, na cena do trem, no filme, em que a Tris "puxa briga" com um maluco lá sem-facção... Não aconteceria nunca. Porque a Tris não é idiota, porque a Tris em Insurgente não faria isso. Porque ela é madura demais para puxar briga com um maluco qualquer no meio de um trem qualquer.

De qualquer forma, isso nem me irritou tanto. E devo admitir que eu adorei as cenas de ação [mesmo uma parte delas, incluindo este gif acima, não existindo no livro. Risos], porque ficaram bem feitas, cheias de efeitos especiais incríveis e sequências impressionantes - essa mulher se jogando aí do prédio?!?!? Tá louco, rapaz.

Aliás, preciso dizer que eu fiquei espantadíssima quando, no meio do filme, minha mãe me diz: "essa mulher está tão envelhecida, nem parece que fez a Rose, do Titanic". Se referindo à Jeanine.

[Primeira reação. Reação eterna]

E, não, eu não sabia que ela havia feito Titanic porque eu nunca vi Titanic [NÃO VI MESMO], da mesma forma como Cinderella, ontem, foi meu primeiro filme da Cinderella [FOI MESMO] e eu precisei fazer um review com as minhas amigas sobre a história da Cinderella porque eu não sabia a história da princesa toda, nem sabia que o nome dela não era Cinderella [!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! DESDE QUANDO A CINDERELLA SE CHAMA ELLA??!?! A MADRASTRA TEM NOME?!?!?!].

Enfim.

Em todo caso, fora esses SURTOS DE PSICOPATIA AGUDA da Tris que em nada combinam com a sua personalidade em Insurgente-Livro, e as mudanças GRAVES no roteiro [pra quem viu o filme: sabem aquela caixa que você tem que fazer as simulações de cada facção? É, não tinha simulação nenhuma pra fazer. Era só abrir aquela budega e fim. E sabem o final da Jeanine? É, ele acontece antes, em outra situação que o filme não mostrou. E sabem a decisão tomada pelo Tobias, sobre a caixa e sua mensagem? É, foi a Tris e ninguém ficou feliz com isso não], eu até que gostei do filme.

Só gostaria de reclamar sobre o final.

O final não tem nada a ver. NADA. NA. DA.

NADA.

CADÊ O FINAL DO INSURGENTE? CADÊ? GENTE, NÃO TERMINA ASSIM NÃO. DÁ REC NESSE TROÇO.

Agora eu quero só ver como eles vão fazer pra Convergente, porque eles deram uma escorregada BONITA no final do Insurgente e, sinceramente, eu não faço IDEIA de como eles podem começar o Convergente, porque não tem nada a ver. Risos. Sério, quem leu Insurgente... Pode ficar revoltado no final [escreva sua revolta aqui nos comentários, abiga] porque não tem absolutamente nada a ver.

[Aquela cena final mostrando a manada de humanos e a muralha?Pff, nem vem. Aliás, sempre que mencionavam "Wall" eu pensava em GoT. Obrigada, HBO, trollando meus filmes].

Então, é isso. Eu dei 3,5 no filmow porque, sinceramente, que diabos de final RIDICULO foi esse, mas eu gostei das cenas. Claro, a maior parte delas nunca daria certo na vida real/um filme do George Martin ou do Stephen King, mas fazer o quê?

[Observe isso Brasil. Sinceramente, isso nunca daria certo. NUNCA. Deu uma sorte do inferno. Vai se ferrar]

Mas, de qualquer modo, foi um bom filme. Eu sinceramente espero a continuação, porque eles estão muito ferrados depois desse final sem sentido nenhum com a história. E eu quero VER O CIRCO PEGAR FOGO.

Para quem ainda está meio fora do ar, Convergente será dividido em duas partes [porque dinheiros] e a primeira parte vai estrear em 2016. Vamos rezar pelo bom senso dos diretores, até lá.

Obrigada, de nada.

Termino esta resenha com um gif da Jeanine/Rose, porque eu ainda estou chocada com o fato da mulher ter feito Titanic.

[Apesar de tudo, a caixa ficou maneiríssima]

~ biacinha

21 de abril de 2015

Morte Súbita [J.K. Rowling]



Para quem não conhece - o que acho impossível - esse livro, Morte Súbita, foi escrito pela nossa digníssima e amada J. K. Rowling anos após o fim, infelizmente, de Harry Potter, a série mais famosa do mundo, que tem os livros mais vendidos e lidos do mundo [em segundo lugar no ranking, na verdade].

Muita gente comprou o livro às pressas, achando que pudesse ter algo a ver com Harry Potter ou, sei lá, que fosse outra história relacionada com Hogwarts ou seu universo paralelo - já que a imagem na parte de trás do livro é MUITO parecida com Hogwarts, de verdade, e acreditem: eu não sou dessas fãs que procura eastereggs em tudo que é lugar. Só às vezes.

De qualquer modo, essas pessoas que compraram sem saber do que se tratava e achando que poderia ter relação com Harry Potter.... Quebraram a cara de forma impressionante. O livro não tem absolutamente nada relacionado com o mundo mágico e não faz sequer uma única menção a ele. Aliás, nem mesmo a linguagem, o clima e o enredo têm a ver.


"Quando Barry FairBrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque.
A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra.

Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos Pagford não é o que parece ser à primeira vista.

A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas? 

Com muito humor negro, instigante e constantemente surpreendente, Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J.K. Rowling, autora de mais de 450 milhões de exemplares vendidos."

Autor:J. K. Rowling
Editora: Nova Fronteira
Ano:2012
Páginas: 501 pags.


Logo nas primeiras páginas do livro, o conselheiro do distrito de Pagford morre por conta de um aneurisma cerebral. A partir daí, todo o local onde se passa a história "explode" de ansiedade pelo tão cobiçado cargo de Conselheiro [que é tipo prefeito, mas como é um Distrito se chama Conselheiro -q].

E acredito que de cara, os "leitores iludidos" que compraram ou começaram a ler Morte Súbita por conta de Harry Potter, tenham ficado um tanto quanto chocados. Quer dizer, se eu compro um livro imaginando que ele tenha alguma relação com a minha série infanto-juvenil fofinha favorita, eu não vou esperar ver nas primeiras páginas um personagem se afogando no próprio vomito enquanto, em convulsões, sangra e tem o cérebro parcialmente estourado.

[Nah, claro que eu nem me toquei que Harry Potter estava bem atrás de Morte Súbita... Total coincidência...]

Por isso, a primeira coisa que eu quero falar nessa resenha aqui é: O LIVRO NÃO TEM NADA A VER COM HARRY POTTER, OK? TEM CENAS 'PESADAS', TEM MORTES, TEM DROGAS, TEM DROGADOS E TODAS AS VARIANTES POSSÍVEIS.

Obrigada.

Sei que a maior parte dos leitores dessa resenha vão ficar meio "ok, mas a gente já sabia disso", mas acontece que, mesmo 3 anos depois do lançamento do livro, muita gente ainda acha que tem relação. E, por Merlin, não tem.

De qualquer modo, vamos falar desse livro incrível.

Acredito que uma das coisas que mais me agradou durante a leitura foi o fato de que nenhum personagem era inteiramente bom ou inteiramente mau - na realidade, a maior parte deles parecia ser bem cretina, desagradável, fofoqueira e nada legal para se ter por perto ou como amigos. No fundo, acho que de todos os personagens, somente a Marry Fairbrother - viúva do nosso querido defunto - era quase integralmente boa. Quer dizer, a mulher passa o livro inteiro chorando e caindo aos pedaços, então, não tem muito o que se dizer sobre ela.

Os outros personagens, por outro lado, são extremamente dignos de nota. Acho que se eu fosse falar em particular sobre cada um deles ficaria a vida inteira aqui nessa resenha. Portanto, eu só digo que cada personagem vale a pena. Todos têm problemas muito graves que se entrelaçam sempre nos problemas dos outros.

Por exemplo: Krystal [Good girls gone bad... take a three...] deve cuidar do irmão mais novo, Robbie, porque a mãe, Terri, é uma drogada viciada em heroina que já passou duas vezes pela clínica de reabilitação de Fields. Elas são cuidadas pela assistente social Kay, mãe de Gaia, e que está envolvida com Gavin, ex-melhor amigo de Barry Fairbrother e que, por sua vez, era o treinador do time de remadoras... Do qual fazia parte Krystal.

Está tudo relacionado, e isso é tão maravilhoso! É uma rede bem feita, forte e sem risco de danos. Até você tirar Barry Fairbrother. E quando isso acontece... Tudo entra em colapso.


[O livro é dividido em seis partes, no total. Sendo a sexta parte o "último capítulo"]

Acho que toda essa rede de intrigas, mortes e coisas ainda mais horríveis deixa o livro com um clima perfeito. Sinceramente, eu não conseguia imaginar a autora de uma série tão jovem quanto Harry Potter, escrevendo algo desse tipo - não que eu não acreditasse na capacidade da mulher, mas... Fiquei surpresa. Não é como alguns autores que escrevem coisas sobre o mesmo universo dezenas de vezes e lançam trilogias que são basicamente a mesma coisa, sobre o mesmo mundo. :)

De qualquer modo, o livro é verdadeiramente surpreendente, e eu não preciso nem falar da escrita da Rowling; impecável, como sempre. Sabe prender o leitor e não deixa nenhum ponto fora da linha da história.

Outra coisa bem retratada também é que os personagens mais novos - como Andrew, Bola Wall, Gaia... - não são "infantis", ou retratados de forma infantil. E nem mesmo os bebês, como o Robbie - claro, ele é um bebê, mas não é mostrado ao público de forma "own, tem esse bebê lindo aqui", como eu vejo muitas vezes. Os adolescentes são tão 'polêmicos' quanto os adultos, e até mesmo as crianças/bebês não são tão extremamente adoráveis assim.

Voltando a falar sobre a trama:

Acho que a rede criada pela Rowling foi tão bem feita, que o enredo não tem praticamente nenhum erro. Quer dizer, ela pensou em todos os detalhes, como sempre, e criou algo que, ao ser lido, você não consegue encontrar nenhum erro - ao menos eu não consegui.

E pensando agora, eu sinceramente não vejo nenhum ponto da história que foi "encheção de linguiça" ou criado apenas para aumentar a história, e que normalmente me deixa com tédio. Não, não houve nada assim. Cada ponto da história é necessário por algum motivo que, mais para frente, irá se mostrar importante. Desde a criação do site do Conselho, até a Sukvinder [aliás, a melhor personagem de todas, q].

Esse é outro ponto maravilhoso, aliás. Rowling não teve medo de escrever, de narrar o que queria narrar. Essa foi uma das coisas que me irritou DEMAIS nos livros do John Green, por exemplo. O cara parece que vai começar a escrever algo polêmico e mega interessante e, de repente, muda de assunto. Como se ele tivesse medo de fazer os adolescentes que leem seus malditos livros pensarem um bocado, ou se questionarem.

Eu odeio isso com todas as minhas forças. Por isso não gosto do John Green.

[Vai me dizer que essa coisa não parece Hogwarts? Se você forçar a vista, dá até pra ver o Harry ali!]

Acredito que a única coisa que tenha me deixado meio "bolada" com o livro, foi o "motivo final". Quer dizer, vou dar uma explicada aqui para vocês rapidamente, sem dar spoilers:

Após a morte do Fairbrother, algumas pessoas começam a querer se candidatar a seu lugar de Conselheiro. Por trás disso, há sempre questões de 1) intrigas e raivinha entre as pessoas [Tem gente que não gosta do Pombinho Wall e ao mesmo tempo não gosta do Howard - pior família, aliás], 2) tramas envolvendo os tais candidatos [um tentando sabotar o outro, sempre] e 3) Fields/Yarvil X Pagford [porque Pagford é um distrito de gente rica e idiota que odeia o pessoal pobre e drogado de Fields que, originalmente, era para ser um bairro do distrito de Yarvil].

Acontece que, antes das eleições para Conselheiro [por isso o X em vermelho na lombada do livro! Notei agora isso q], ocorre alguns "eventos" que deixam os candidatos em uma situação meio... Constrangedora. E esses eventos são causados porque... Bem, por motivos tão.. Não comuns com o que acontece durante todo o maldito livro, que eu fiquei indignada!!

Quer dizer, o tempo inteiro eu estava lá, feliz, esperando mortes e explosões e sangue e ratos, e de repente... Isso. E por conta de 'x', feito por 'y'.

É um tanto quanto decepcionante, J. K., um tanto quanto decepcionante.


MAS, fora isso, eu gostei mesmo do livro. De verdade. Não é um dos meus favoritos, mas é muito bom e eu pretendo comprá-lo/ganhá-lo para colocar na minha estante. Acho que todos deveriam ler, e ficar já preparados para o fato de que a linguagem, a trama e tudo do livro são totalmente adultos e nada a ver com Harry Potter - a não ser o fato de tudo ser britânico! :D Risos



É isso. Comentem aqui o que acharam do livro, ou suas expectativas com relação a ele.

~ Biacinha

18 de abril de 2015

Vikings - A Primeira Temporada



A série Vikings tem somente duas temporadas na Netflix, o que já é o bastante para ME causar calafrios, porque eu realmente não quero terminar a segunda temporada, caçar a terceira na internet e ter que esperar [suando frio de ansiedade] por novos episódios lançados a cada domingo.

Acho que essa é a sensação que todos os acompanhantes da série têm, porque é simplesmente impossível ficar mais de alguns dias sem ver um único episódio, sem acompanhar Ragnar ou ver o crescimento dos antigos personagens [como Bjorn] e seu amadurecimento.

Mas, de qualquer modo, estamos aqui para falar da primeira temporada e é o que farei agora.



Vikings é uma série que, obviamente, fala sobre vikings: o modo de viver na sociedade viking, os guerreiros, as mulheres, as vestimentas, as guerras, a política viking... E talvez a primeira coisa que a pessoa "espere" ver na série seja 1) guerras sangrentas e 2) um povo fascinante com a sua religião igualmente fascinante: mitologia nórdica [que, pra quem não conhece, engloba Odin, Thor, Thyr, Freja... Alguns deuses desse leque -q].

Óbvio que se a pessoa for se basear nos resumos de episódios do Netflix ou do Banco de Séries, não vai encontrar exatamente o que espera [os resumos são péssimos], mas logo de cara ela encontra o que procura, pois justamente no primeiro episódio temos algumas mortes interessantes e bem feitas, discussões, politicagem e, especialmente, Deuses [não em pessoa, mas mencionados. O tempo inteiro temos os deuses nas bocas dos vikings e isso é simplesmente sensacional].

Começamos a temporada com o Ragnar Lothbrook, o protagonista, querendo a todo custo mudar a direção de viagem dos vikings - eles sempre vão para Leste, mas dessa vez o fazendeiro quer destinar a viagem a Oeste! - e invadir as terras da chamada Inglaterra; um local "misterioso", que os vikings não conhecem muito bem e que aparece nos "boatos dos vikings" como um lugar cheio de ouro e terras. Certamente que isso será o problema principal da série, ou pelo menos dos primeiros episódios.

Aos poucos nós vamos conhecendo melhor a aldeia, os fazendeiros e guerreiros e também a família e circulo social do Ragnar: há a família dele, composta pela Lagertha, Bjorn e Gida - além do irmão dele, Rollo - e também os amigos do cara. Aprendemos um pouco sobre a política do local, em si, sobre o Conde e sua total falta de democracia, e também vemos os vikings entrando cada vez mais na Inglaterra e no novo modo de navegação.



Penso que o mais impede a pessoa de abandonar a primeira temporada de vikings é, além do elenco e de personagens sensacionais, a trama em si: não é apenas um bando de vikings dando nas caras uns dos outros com seus machados ou vikings fazendo sexo nas esquinas. É uma série complexa, com uma trama bastante intrigante, e, diferente de muitas outras séries, tem algo a mais além das brigas infinitas e desnecessárias e das 45435343545 cenas de nudez [90% delas sem sentido algum].

Na realidade, eu vi algumas críticas que comparavam - de uma forma nada lógica - Vikings a Game of Thrones.

Bem. Eu vi as duas séries, e inclusive li todos os livros de Game of Thrones e digo que nenhuma delas tem algo um comum. O tema de GoT é completamente diferente do tema de Vikings; o clima de GoT é outro, a forma como os personagens são apresentados e "usados" pelo George Martin é outra bem diferente da forma como os personagens de Vikings são colocados na trama da série e, especialmente, uma tem sua profundidade totalmente voltada para outro tema. Game of Thrones é uma série de livros/televisão muito mais voltada para o período medieval, muito mais relacionada com a fantasia em si do que Vikings, que obviamente vai falar sobre Vikings e ponto final.

Talvez essas pessoas estejam tratando as séries "de forma única" por conta das batalhas ou talvez do caráter dos personagens [comparando os vikings com os Khals, por exemplo] ou até mesmo com a coisa toda dos Deuses. Infelizmente, uma série está voltada completamente para um tópico e outra para outro tema diferente. GoT não é mais profundo que Vikings porque simplesmente GoT não fala sobre Vikings, e nem se focaria em Vikings e nem sequer pensa em falar sobre Vikings, da mesma forma como Vikings não tem dragões, não tem uma Khaleesi e, especialmente, não tem 454546456 mortes por episódio [-q].



De qualquer modo, voltando para minha análise da primeira temporada.

Cada episódio de Vikings mostra os acontecimentos e decisões de uma forma tão interessante e tão densa, que nem parece que se passam sempre 45min em cada um. Nem parece, aliás, que eu levei alguns dias para terminar a primeira temporada, porque simplesmente eu senti como se tivesse levado horas, ou minutos. A série é tão interessante, tão fluida... Que não tem como se cansar durante os episódios.

Os personagens, aliás, vão crescendo de tal maneira que você acaba se afeiçoando até ao mais desagradável de todos [Rollo qqq] e se surpreende com os acontecimentos que... Deuses, chega até a se sentir mal ou triste por algumas coisas.

Uma das coisas que mais me agradou durante a primeira temporada foi o embate entre a religião católica e a religião nórdica. Athelstan, o padre, contra os nórdicos vikings que acreditam em Odin, o pai de todos, que fazem sacrifícios aos Deuses pedindo por glória em batalha, que sentem gosto em morrer numa guerra para irem ao Valhalla e que sabem que os Deuses podem se enfurecer com eles e amaldiçoar suas famílias e seus atos. A gente vê que, aos poucos, a religião nórdica vai encantando a todos... Que, aos poucos, a gente prefere a nórdica à católica [o clima da série nos transporta direto para essa coisa nórdica, com Deuses e sacrifícios. Impossível não se encantar pelos feitos de Thor ou pela história do Ragnarok, ou então querer ir até o Templo de Uppsala porque, nossa, aquele lugar é lindo demais!].

E isso que é legal. O embate entre a nossa "cultura atual" e a cultura antiga. Ver o pensamento deles, o modo como se comportavam e agiam e suas leis - aliás, eu me identifico muito com o modo deles de viver. As mulheres são tão fortes e impressionantes! Elas não ficam de "mimimi" por conta de uma guerra, ou porque os "homens delas" vão para batalha. Elas pegam o escudo e um machado e vão pra porradaria também! [inclusive as que não são escudeiras, o que é sensacional]. Os caras não ficavam de 'mimimi' por conta das mulheres indo para a batalha, e nem tinha essa coisa religiosa idiota separando socialmente homens de mulheres.



É tão maravilhosamente interessante!! Aliás, outra coisa que realmente me deixou muito contente com a temporada: as mortes são lógicas, e acontecem. Seu personagem? Pode morrer, claro, pode ser decapitado, pode ter uma flecha no meio da cara, pode morrer de qualquer modo, pode ser oferecido como sacrifício... Sensacionalmente sincero.

E o final da primeira temporada... Acredito que não existiu nada mais lógico. Se fosse uma série qualquer criada para agradar os fãs, talvez não tivesse acontecido dessa forma. Acho que tudo o que aconteceu fez sentido, cada episódio, cada tomada de decisão... Cada morte e cada ida. Todos os detalhes fizeram sentido e acabaram chegando a consequencias lógicas - o que me agrada bastante. Óbvio que se você pesquisar na wikipedia sobre os personagens, pode encontrar uns spoilers indesejados, pois há boatos de que Ragnar existiu de verdade [e o Bjorn realmente existiu]. Então, eu diria para não fazer isso.

O final é maravilhoso e culmina no primeiro episódio da segunda temporada.

Eu diria que a primeira temporada fez juz à promessa sobre a série: lógica, impressionante e, especialmente, viking.

16 de abril de 2015

O Código da Vinci [Dan Brown]



Acho que a maior parte dos leitores/cinéfilos/pessoas aleatórias já ouviu falar sobre esse livro, desse autor. Talvez não saibam exatamente sobre o que o livro fala, e talvez até mesmo alguns passassem a não curtir muito o livro depois de lê-lo ou de ouvir um pouco sobre o que se trata.

O Código da Vinci é um dos livros mais lidos no mundo inteiro e inclusive o 20º livro mais vendido [no ranking de livros com mais de 50 milhões de cópias vendidas. No caso, O Código da Vinci vendeu mais de 80 milhões de cópias], contando com outras edições também de outras editoras - tanto da Bertrand Brasil como quanto da Sextante também.

Ele faz parte de uma "série" de livros do autor Dan Brown. No caso, o que conecta os livros dessa série é uma espécie de linha do tempo e o fato de que o protagonista é sempre o mesmo - Robert Langdon. Não há absolutamente nenhum mal em ler 'fora da ordem' [como eu fiz, começando direto pelo Código da Vinci e indo para Inferno], porque a única coisa que mostra essa conexão entre os livros é uma pequena menção ou outra dos acontecimentos de livros anteriores, mas nada que dê spoilers ou, enfim, coisas do tipo.

Para os mais metódicos, a ordem seria: Anjos e Demônios; Ponto de Impacto; Código da Vinci; Símbolo Perdido e, finalmente, Inferno [o mais recente de Dan Brown].
Para os não tão metódicos assim: vamos falar sobre o livro extremamente polêmico cuja adaptação cinematográfica foi quase proibida de ser produzida pelo Vaticano.

Um assassinato dentro do Museu do Louvre, em Paris, traz à tona uma sinistra conspiração para revelar um segredo que foi protegido por uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo. A vítima é o respeitado curador do museu, Jacques Saunière, um dos líderes dessa antiga fraternidade, o Priorado de Sião, que já teve como membros Leonardo da Vinci, Victor Hugo e Isaac Newton.

Momentos antes de morrer, Saunière consegue deixar uma mensagem cifrada na cena do crime que apenas sua neta, a criptógrafa francesa Sophie Neveu e Robert Langdon, um famoso professor de Simbologia de Harvard, podem desvendar.

Os dois transformam-se em suspeitos e em detetives enquanto percorrem as ruas de Paris e de Londres tentando decifrar um intricado quebra-cabeça que pode lhes revelar um segredo milenar que envolve a Igreja Católica.

Apenas alguns passos à frente das autoridades e do perigoso assassino, Sophie e Robert vão à procura de pistas ocultas nas obras de Da Vinci e se debruçam sobre alguns dos maiores mistérios da cultura ocidental - da natureza do sorriso da Mona Lisa ao significado do Santo Graal.

Autor: Dan Brown.
Ano: 2004.
Editora: Arqueiro.
Páginas:421 + capítulo de Anjos e Demônios.

Acho que já deu para ver, pela sinopse, que o livro realmente promete trazer umas discussões bem polêmicas à tona - coisas como Jesus Cristo, Santo Graal e, especialmente, a Igreja Católica [o que ainda me faz pensar que a Igreja deve ter esse livro dando alergia na sua instituição até hoje. RISOS]. E antes de começar, eu sinceramente aviso às pessoas: por favor, comecem o livro com a mente aberta. Claro, nem tudo o que está nele é verdadeiro, mas ainda assim... Para as pessoas "mente fechada", essas coisas podem incomodar bastante.

Já começamos o primeiro capítulo acompanhando o assassinato do curador Jacques Saunière que, segundo a sinopse, está envolvido em alguns grupos bem "polêmicos". Como lemos na sinopse, não é novidade alguma que Jacques antes de morrer deixa uma mensagem, de alguma forma, para sua neta, Sophie, e para o simbologista Robert. Acontece que... o modo como ele é morto, por quem ele é morto e onde ele deixa a mensagem... Já são coisas que deixam o leitor intrigado desde o princípio [ponto para Dan Brown, que sabe fisgar o leitor].

[Este é o livro. Olá]

Durante toda a leitura, acompanhamos Robert e Sophie em sua tentativa desvairada de desvendar quem matou o curador Jacques. Claro que, como simbologista e como um livro de suspense e investigação, teremos muitas idas e vindas dos dois personagens principais e eles quase sendo pegos para, no final, se livrarem e serem perseguidos, etc, etc, etc, etc.

Essa foi uma das coisas que me irritou um pouquinho durante a leitura. Eu não curto muito essa coisa dos herois sempre se safarem ou sempre estarem perto de serem pegos e, DE REPENTE, POR ALGUM MOTIVO DO ALÉM-TUMULO, eles se livram (!!!!). Não suporto esse tipo de coisa e durante a leitura de Código da Vinci essas coisas me irritaram e me fizeram tirar uma estrela ao total [de cinco estrelas]. Quer dizer, o livro poderia ser um pouco mais lógico, certo? Os principais às vezes são pegos e às vezes se ferram demais e muitas vezes eles morrem.

Quer dizer, cadê o sentido disso?

Além do que, não há muito o que falar dos personagens. Há o tipíco protagonista inteligente pra caramba, a garota que se une a ele e também é muito inteligente, e o investigador da polícia que acha que sabe tudo mas não sabe nada [fazendo o Snow] e os ajudantes do investigador da polícia que normalmente podem ser caras descolados, gordos ou idiotas. E, como sempre, há o amigo do protagonista, e o vilão da história. Fim. São personagens típicos, sem muita profundidade psicológica ou qualquer coisa do tipo, com histórias montadas superficialmente [dependendo da importância do personagem] e que de alguma forma se encaixam com a história do livro, em si.

Portanto, o que há de mais rico na história do Código da Vinci não é o elenco.

[Adorei a organização dos capítulos, sem pular muitas linhas ou sem começar em outra página. Gostei mesmo]

De qualquer modo, o restante do livro é muito maravilhoso. Não sei se eu digo isso porque a investigação é feita de uma forma inteligente, lógica e racional, ou se digo isso porque as coisas que envolvem a investigação são perfeitamente polêmicas ou, então, se é porque ao ler essas coisas polêmicas eu fiquei bastante feliz [curto coisas polêmicas, especialmente envolvendo instituições poderosas como o Vaticano].

Aliás, uma coisa que realmente me agradou foi a veracidade de certas coisas que são importantes no livro [como o Priorado de Sião, Opus Dei...]. Logo no começo do livro, temos uma página falando sobre a veracidade dos assuntos, e também sobre os detalhes das obras de arte, dos autores, pintores, etc. Isso torna a história ainda mais interessante, porque você fica se perguntando "e se as coisas que não são verdadeiras... Fossem?".

Mas o que realmente me interessou foi a polêmica.

Caso vocês não saibam, ou sei lá, não tenham notado ainda, Código da Vinci tem seu enredo todo envolvido pela Igreja e pelos pontos da religião católica [Jesus, Maria Madalena, Santo Graal, etc] e o autor, Dan Brown, toca em assuntos e em questionamentos que talvez não sejam muito legais para o Vaticano ou até mesmo para muitos católicos ao redor do mundo. Ao mencionar o Opus Dei, por exemplo [uma organização extremamente conservadora da Igreja Católica que é conhecida por "mortificações corporais", ou seja, penitências corporais, autoflagelamento, etc], o autor talvez esteja tocando em uma ferida que está aberta e que não vai se fechar nunca. Toca em pontos do Vaticano que, eu acho, o atual Papa não queira falar muito sobre.

Ao mencionar Maria Madalena, Jesus e Santo Graal [que poderia ser o Cálice usado por Jesus na santa ceia, OU que é "alguma coisa" relacionada a Jesus e que foi procurada pelo Rei Artur e pelos cavaleiros da Távola Redonda - segundo o mito do Graal - mas que, no Código da Vinci, tem um significado extremamente polêmico para o Vaticano e para católicos mais fervorosos, talvez], acredito que Dan Brown esteja tocando em assuntos que não sejam tão agradáveis de serem discutidos, que não são muito bem aceitos - pelo que deu para perceber - e que, certamente, não são bem vistos por organizações como o Opus Dei.

E isso é legal.

Nada contra o Vaticano, claro, mas eu gosto de livros que cutuquem feridas. Gosto de livros que propõem questionamentos e que, especialmente, façam as pessoas duvidarem do que já escutaram/aprenderam. Não em especial sobre o Vaticano, mas sobre qualquer coisa! Qualquer coisa que promova um questionamento mais avassalador, para mim, é digno de atenção. Por isso gostei tanto de O Código da Vinci; porque ele propõe esse questionamento... Sobre a Igreja e tudo o que ela já alegou.

[Esse é Robert e essa é a Sophie. Atrás, temos a famosa Mona Lisa]

Continuando e deixando as polêmicas de lado, eu diria que Código da Vinci é um dos livros mais lidos, mais vendidos e mais adorado no mundo justamente pelo questionamento que ele traz, pelas coisas que ele aponta e critica e, especialmente, pela escrita.

Eu nunca havia lido Dan Brown antes e, preciso confessar, eu julgava extremamente o autor. Não sei o motivo, mas eu achava que os livros eram ruins ou que, sei lá, eram muito românticos (?). Ainda bem que comecei a ler esse livro, porque eu enxerguei que o autor é muito bom, e que escreve realmente muito bem.

De qualquer modo, o desenrolar do livro e da investigação são bons... Mas o final é um tanto quanto decepcionante. Quer dizer, eu esperava mais, de fato. Eu esperava algo surpreendente de uma forma mais lógica, e não o que aconteceu.

Sem querer dar nenhum spoiler sobre o final ou sobre a história do livro em si, eu acredito que devo falar que, talvez, essa história prometa demais durante o desenrolar de tudo, mas que ao final... Ela é um tanto quanto normal. Eu esperava uma coisa maior, esperava uma grande revelação, esperava QUALQUER COISA MAIS ABSURDA E MAIS LOUCA, mas não o que aconteceu!! Fiquei seriamente chateada com Dan Brown [apesar de que ele está cagando para isso] e com esse final.

Eu queria mais. Esperava mais.

Apesar disso, o livro continuou com quatro estrelas no skoob porque de fato tudo o que envolve a história e a investigação é sensacionalmente polêmico e [FODA] maravilhoso. Eu gostei demais disso, e chegou até a superar esse final meio decepcionante.


No final das contas, o livro é ótimo e a escrita também. Se você quiser ler, prepare-se para ler coisas um tanto quanto questionadoras.

Como eu já vi o filme, pretendo dar aquela resenhada também. O que já posso adiantar é que, mesmo sendo um tanto quanto fiel... O filme deu um jeito de destruir a "ideia questionadora principal" do livro - com somente uma mudança em uma fala, de uma cena.

Até lá :D

10 de abril de 2015

Daredevil - "No Círculo"


Uma resenha sobre o primeiro episódio da primeira temporada!


Pois é. Obviamente título e subtítulo são auto-explicativos, por isso, sem muita enrolação. Como todos sabem, Daredevil [chamada em português de "Demolidor"] acaba de estrear HOJE na Netflix, como uma das séries originais sobre heróis do universo Marvel.

Para quem não acompanhou nosso último post falando sobre a estreia da série, Daredevil é uma das quatro séries sobre heróis que a Netflix está produzindo. Todas essas juntas terão uma série de crossover que irá falar sobre os Defensores [grupo composto pelo Daredevil, Safira, Punhos de Aço e Poderoso, cada qual com sua série -q].

Ainda dando um pequeno resuminho sobre nosso querido heroi: Daredevil, ou Demolidor, é o heroi da Marvel mais foda de todos justamente pelo fato de que ele é cego (!!) e ainda luta contra o crime. O cara ficou cego aos 9 anos quando, por um acidente de carro/caminhão carregando barris com produto químico radioativo, o garoto acabou queimando os olhos e, enfim, cegou-se [-q]. A partir de então, Matt Murdock aprendeu a conviver com a cegueira e com seus outros sentidos extremamente aguçados [o cara é capaz de ouvir nossos batimentos cardíacos a metros de distância, além de ter um tato extremamente potente a ponto de ler livros 'normais'/não em braile]. De dia: um advogado recém formado; de noite: um vigilante.

E agora que falamos um pouquinho da série, vamos falar sobre esse primeiro episódio.


Acho que a primeira coisa que eu gostaria de dizer é que a abertura ficou sensacional. Sério, de verdade. Eu simplesmente amei a abertura [tão boa quanto a de Vikings, por sinal] com as coisas se formando e, então, o Demolidor ao final com sua roupinha de vigilante - ansiosa, aliás, para ver o rapaz Murdock vestido na roupa de Daredevil.

Mas, além da abertura, acho que devemos falar também sobre a atuação do Charlie Cox. Não sei se já o vi antes em outras séries ou filmes [observem que eu nunca sei o nome dos atores, normalmente], mas eu achei a atuação realmente muito boa. Gostei do cara como Matt, gostei do cara como Demolidor, apesar de não saber se é ele quem faz as cenas como o vigilante ou se é o dublê [isso conta muito pra mim, aliás. Quando o cara faz suas próprias cenas de vigilante... Ganha uns 20 pontos a mais na "Consideração". Risos].

Os outros atores... Como ainda estamos no começo da série, não tem exatamente o que dizer - e como o maior destaque, claro, foi para Murdock, ainda tenho muito o que observar - mas gostei bastante da Deborah como Karen Page [ao menos nesse primeiro episódio]. Acho que os atores ainda precisam de mais observação, e como eu só vi o primeiro episódio... Preciso de mais tempo.

[Ansiosa pela roupinha do Demolidor. Melhor roupinha, cara. Tem chifres]

De qualquer modo, gostei muito mesmo de como tudo foi abordado até agora. As lutas com o Matt ficaram incríveis, bem feitas, e o personagem estava muito interessante - aquela coisa do cego que consegue lutar, combater o crime e ainda exercer a profissão. Sabe como é -q - porque tem toda uma "névoa" envolvendo o Daredevil; a relação dele com a igreja - a primeira cena de Cox é na igreja, se "confessando" - e o fato de que ele é cego. Enfim. É um heroi muito interessante [e eu adoro a roupa dele, cara].

A forma como abordam a história dele também ficou bem legal. Até agora só tivemos um flashback - diferente de Arrow, por exemplo, que tem 10min de cada episódio, mais ou menos, voltado para flashbacks, o que pode irritar um pouco - e o roteiro para esse primeiro episódio ficou bem montado, bem escrito. A relação de Murdock com Foggy - o amigo "legal" que eu já sei que irei odiar mortalmente e torcer para morrer, obrigada - ficou bem natural, nada aparentemente forçado ou estranho, sei lá. E eu tenho a sensação de que Karen terá um papel extremamente fundamental para Murdock [não li as HQs, não sei o que pode acontecer. Vai que ela é uma heroina também? Tipo em Arrow, rs, que até as pessoas que acompanham a série podem virar herois daqui a pouco ¬¬ ].

Enfim.

Gostei do primeiro episódio, ficou bem legal. Não é cansativo ou entediante, daqueles que tem 45min mas há a sensação de durarem 3h [Game of Thrones], e tem um clima bem legal. Hell's Kitchen [que nome SENSACIONAL pra uma cidade, aliás. RISOS] é um local muito interessante, onde você sabe que SEMPRE vai ter um maldito fazendo coisas horriveis e nunca vai parar o trabalho pro Daredevil - outra coisa que gostei também. Não dá a sensação de "final feliz, vamos esperar para dar ruim no próximo episódio", na verdade me deu a sensação oposta! Terminei o episódio vendo que nada nunca vai terminar bem na cidade, e que o Daredevil não será suficiente. E isso é ótimo [odeio finais felizes].

[Os Defensores. Da esquerda para direita: Demolidor, punhos de aço, Luke Cage e Safira]

Outro detalhe verdadeiramente maravilhoso é que a primeira temporada tem somente... 13 episódios! Isso é ótimo porque eu, por exemplo, odeio séries que têm 453435435 episódios na primeira temporada. Esse tipo de coisa dá tanta preguiça, tanta preguiça, que eu enrolo pra sempre a série [Arrow, oi?] e acabo vendo outras séries, lendo livros, vendo filmes e faço QUALQUER COISA menos terminar a maldita temporada [para chegar na segunda e me deparar com 454335435435335 episódios de 45343435435435435 dias de duração cada].

Esse ponto me ganhou DEMAIS em Daredevil. Além, claro, a penúltima cena. Esperem para ver: a cena é maravilhosa, sensacional. Simples, intercalada com outras cenas também, mas que, por algum motivo, me fez amar ainda mais a série e sentir vontade de correr para o segundo episódio - o que, aliás, farei de tarde. Pretendo terminar a primeira temporada até domingo.

Para quem ainda não viu: veja. Para quem acha que pode ter ficado ruim: não ficou.

Daredevil promete ser realmente muito boa, e, ainda esse ano, poderemos ter o lançamento da série sobre a Safira!

Fiquem no aguardo.