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23 de abril de 2015

Primeiro capítulo de O Quarto Espírito, de Ronaldo Cavalcante



Aos que leram Cinco Luas, do Ronaldo Cavalcante, sei que ficaram extremamente tristes com a morte do nosso querido Guardião William, o rapaz dobrador de terra [dobrador, na linguagem de Avatar: A Lenda de Aang, significa "dominador"] e ficaram ansiosos pelo lançamento da continuação de Cinco Luas para saber se o garoto estava mesmo vivo ou não - pois, como se lembram, Luciana, a Guardiã da Vida, teve uma espécie de revelação maior dada pelos Gêmeos, suas entidades, de que Will estaria ainda vivo.

É, essa é uma questão bastante intrigante porque o Guardião da terra foi morto bem diante dos olhos de todos os guardiões, com sua cabeça arrancada inclusive. Como ele poderia estar vivo?!

A resposta se encontra neste capítulo que o Ronaldo gentilmente me enviou [porque eu acabei sabendo dele meses depois do lançamento do capítulo. Risos].


[Esse livro é tão compacto e pequeno <3 ]

O capítulo é bem intrigante. Não trás nenhuma batalha, nenhuma cena de ação, nada do gênero, mas nos mostra o "depois" da grande guerra final mundial interplanetárias - o que, normalmente, não é muito mostrado. Quer dizer, você não vê o "depois" dos esforços dos protagonistas super-poderosos, e se vê, às vezes não é tão sincero assim.

Gostei muito de ver o povo enfurecido tentando matar a Luciana para conseguir a cura de qualquer doença, a restauração de seus membros, para se livrar da morte batendo a sua porta. Porque isso é a humanidade: nos tornamos ainda mais egoístas quando desesperados, e também agressivos e violentos.

Além do que, adorei ver esse depois dos Guardiões. Fiquei satisfeita, aliás, com o rumo que Leo tomou e com seu poder ao ajudar os mais necessitados [na realidade, eu teria feito exatamente o mesmo em seu lugar e, bem, ele é um dobrador de água. Como não adorá-lo?] e também pelo poder que a Luciana acumulou durante os tempos de meditação.

Acho que quando houver outra batalha, Luciana vai despedaçar muita gente.

Mas, claro, que nada me deixou mais animada com esse capítulo do que o final. Saber se Will estaria vivo ou não, saber, finalmente, se Luciana estava errada ou completamente certa sobre seu namorado. Isso me deixou mais empolgada.

Você quer saber a verdade? Eu não irei contar. De forma alguma.

Se quiserem saber, basta entrar em qualquer um dos links, para o formato desejado, e baixar seu capítulo [links no final do post].


[Esta é Luciana, bem diferente do que eu havia imaginado em Cinco Luas, mas posso conviver com isso]

Para quem não sabe, o capítulo é referente ao segundo livro: O Quarto Espírito, continuação de Cinco Luas que, pelo que já li, permanece com a mesma estrutura de escrita limpa e de fácil acompanhamento - sem muita enrolação, por exemplo. E que aparentemente trará um enredo mais empolgante ainda, com batalhas e cenas de ação muito mais explosivas que as do primeiro livro e que trará revelações de tramas não explicadas em Cinco Luas.

Aliás, para quem está muito empolgado com a continuação, digo que Quarto Espírito trará ao público novas entidades, soberanos e... Novos Guardiões também! Pelo que Ronaldo me disse, ele está tão empolgado escrevendo os novos guardiões que pensa em se livrar dos antigos [oh, god, why?].

A previsão de lançamento do segundo livro, em formato digital, está para julho. Já o formato físico não tem previsão ainda de lançamento - vamos todos esperar ansiosamente por julho, porque eu realmente quero ler a continuação desse capítulo. Assim não dá, assim não pode.

E como eu havia prometido a você, aqui está seus links: epub; mobi; pdf.

Os links também estarão disponíveis no post do Ronaldo Cavalcante, que você pode acessar aqui.

21 de abril de 2015

Morte Súbita [J.K. Rowling]



Para quem não conhece - o que acho impossível - esse livro, Morte Súbita, foi escrito pela nossa digníssima e amada J. K. Rowling anos após o fim, infelizmente, de Harry Potter, a série mais famosa do mundo, que tem os livros mais vendidos e lidos do mundo [em segundo lugar no ranking, na verdade].

Muita gente comprou o livro às pressas, achando que pudesse ter algo a ver com Harry Potter ou, sei lá, que fosse outra história relacionada com Hogwarts ou seu universo paralelo - já que a imagem na parte de trás do livro é MUITO parecida com Hogwarts, de verdade, e acreditem: eu não sou dessas fãs que procura eastereggs em tudo que é lugar. Só às vezes.

De qualquer modo, essas pessoas que compraram sem saber do que se tratava e achando que poderia ter relação com Harry Potter.... Quebraram a cara de forma impressionante. O livro não tem absolutamente nada relacionado com o mundo mágico e não faz sequer uma única menção a ele. Aliás, nem mesmo a linguagem, o clima e o enredo têm a ver.


"Quando Barry FairBrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque.
A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra.

Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos Pagford não é o que parece ser à primeira vista.

A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas? 

Com muito humor negro, instigante e constantemente surpreendente, Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J.K. Rowling, autora de mais de 450 milhões de exemplares vendidos."

Autor:J. K. Rowling
Editora: Nova Fronteira
Ano:2012
Páginas: 501 pags.


Logo nas primeiras páginas do livro, o conselheiro do distrito de Pagford morre por conta de um aneurisma cerebral. A partir daí, todo o local onde se passa a história "explode" de ansiedade pelo tão cobiçado cargo de Conselheiro [que é tipo prefeito, mas como é um Distrito se chama Conselheiro -q].

E acredito que de cara, os "leitores iludidos" que compraram ou começaram a ler Morte Súbita por conta de Harry Potter, tenham ficado um tanto quanto chocados. Quer dizer, se eu compro um livro imaginando que ele tenha alguma relação com a minha série infanto-juvenil fofinha favorita, eu não vou esperar ver nas primeiras páginas um personagem se afogando no próprio vomito enquanto, em convulsões, sangra e tem o cérebro parcialmente estourado.

[Nah, claro que eu nem me toquei que Harry Potter estava bem atrás de Morte Súbita... Total coincidência...]

Por isso, a primeira coisa que eu quero falar nessa resenha aqui é: O LIVRO NÃO TEM NADA A VER COM HARRY POTTER, OK? TEM CENAS 'PESADAS', TEM MORTES, TEM DROGAS, TEM DROGADOS E TODAS AS VARIANTES POSSÍVEIS.

Obrigada.

Sei que a maior parte dos leitores dessa resenha vão ficar meio "ok, mas a gente já sabia disso", mas acontece que, mesmo 3 anos depois do lançamento do livro, muita gente ainda acha que tem relação. E, por Merlin, não tem.

De qualquer modo, vamos falar desse livro incrível.

Acredito que uma das coisas que mais me agradou durante a leitura foi o fato de que nenhum personagem era inteiramente bom ou inteiramente mau - na realidade, a maior parte deles parecia ser bem cretina, desagradável, fofoqueira e nada legal para se ter por perto ou como amigos. No fundo, acho que de todos os personagens, somente a Marry Fairbrother - viúva do nosso querido defunto - era quase integralmente boa. Quer dizer, a mulher passa o livro inteiro chorando e caindo aos pedaços, então, não tem muito o que se dizer sobre ela.

Os outros personagens, por outro lado, são extremamente dignos de nota. Acho que se eu fosse falar em particular sobre cada um deles ficaria a vida inteira aqui nessa resenha. Portanto, eu só digo que cada personagem vale a pena. Todos têm problemas muito graves que se entrelaçam sempre nos problemas dos outros.

Por exemplo: Krystal [Good girls gone bad... take a three...] deve cuidar do irmão mais novo, Robbie, porque a mãe, Terri, é uma drogada viciada em heroina que já passou duas vezes pela clínica de reabilitação de Fields. Elas são cuidadas pela assistente social Kay, mãe de Gaia, e que está envolvida com Gavin, ex-melhor amigo de Barry Fairbrother e que, por sua vez, era o treinador do time de remadoras... Do qual fazia parte Krystal.

Está tudo relacionado, e isso é tão maravilhoso! É uma rede bem feita, forte e sem risco de danos. Até você tirar Barry Fairbrother. E quando isso acontece... Tudo entra em colapso.


[O livro é dividido em seis partes, no total. Sendo a sexta parte o "último capítulo"]

Acho que toda essa rede de intrigas, mortes e coisas ainda mais horríveis deixa o livro com um clima perfeito. Sinceramente, eu não conseguia imaginar a autora de uma série tão jovem quanto Harry Potter, escrevendo algo desse tipo - não que eu não acreditasse na capacidade da mulher, mas... Fiquei surpresa. Não é como alguns autores que escrevem coisas sobre o mesmo universo dezenas de vezes e lançam trilogias que são basicamente a mesma coisa, sobre o mesmo mundo. :)

De qualquer modo, o livro é verdadeiramente surpreendente, e eu não preciso nem falar da escrita da Rowling; impecável, como sempre. Sabe prender o leitor e não deixa nenhum ponto fora da linha da história.

Outra coisa bem retratada também é que os personagens mais novos - como Andrew, Bola Wall, Gaia... - não são "infantis", ou retratados de forma infantil. E nem mesmo os bebês, como o Robbie - claro, ele é um bebê, mas não é mostrado ao público de forma "own, tem esse bebê lindo aqui", como eu vejo muitas vezes. Os adolescentes são tão 'polêmicos' quanto os adultos, e até mesmo as crianças/bebês não são tão extremamente adoráveis assim.

Voltando a falar sobre a trama:

Acho que a rede criada pela Rowling foi tão bem feita, que o enredo não tem praticamente nenhum erro. Quer dizer, ela pensou em todos os detalhes, como sempre, e criou algo que, ao ser lido, você não consegue encontrar nenhum erro - ao menos eu não consegui.

E pensando agora, eu sinceramente não vejo nenhum ponto da história que foi "encheção de linguiça" ou criado apenas para aumentar a história, e que normalmente me deixa com tédio. Não, não houve nada assim. Cada ponto da história é necessário por algum motivo que, mais para frente, irá se mostrar importante. Desde a criação do site do Conselho, até a Sukvinder [aliás, a melhor personagem de todas, q].

Esse é outro ponto maravilhoso, aliás. Rowling não teve medo de escrever, de narrar o que queria narrar. Essa foi uma das coisas que me irritou DEMAIS nos livros do John Green, por exemplo. O cara parece que vai começar a escrever algo polêmico e mega interessante e, de repente, muda de assunto. Como se ele tivesse medo de fazer os adolescentes que leem seus malditos livros pensarem um bocado, ou se questionarem.

Eu odeio isso com todas as minhas forças. Por isso não gosto do John Green.

[Vai me dizer que essa coisa não parece Hogwarts? Se você forçar a vista, dá até pra ver o Harry ali!]

Acredito que a única coisa que tenha me deixado meio "bolada" com o livro, foi o "motivo final". Quer dizer, vou dar uma explicada aqui para vocês rapidamente, sem dar spoilers:

Após a morte do Fairbrother, algumas pessoas começam a querer se candidatar a seu lugar de Conselheiro. Por trás disso, há sempre questões de 1) intrigas e raivinha entre as pessoas [Tem gente que não gosta do Pombinho Wall e ao mesmo tempo não gosta do Howard - pior família, aliás], 2) tramas envolvendo os tais candidatos [um tentando sabotar o outro, sempre] e 3) Fields/Yarvil X Pagford [porque Pagford é um distrito de gente rica e idiota que odeia o pessoal pobre e drogado de Fields que, originalmente, era para ser um bairro do distrito de Yarvil].

Acontece que, antes das eleições para Conselheiro [por isso o X em vermelho na lombada do livro! Notei agora isso q], ocorre alguns "eventos" que deixam os candidatos em uma situação meio... Constrangedora. E esses eventos são causados porque... Bem, por motivos tão.. Não comuns com o que acontece durante todo o maldito livro, que eu fiquei indignada!!

Quer dizer, o tempo inteiro eu estava lá, feliz, esperando mortes e explosões e sangue e ratos, e de repente... Isso. E por conta de 'x', feito por 'y'.

É um tanto quanto decepcionante, J. K., um tanto quanto decepcionante.


MAS, fora isso, eu gostei mesmo do livro. De verdade. Não é um dos meus favoritos, mas é muito bom e eu pretendo comprá-lo/ganhá-lo para colocar na minha estante. Acho que todos deveriam ler, e ficar já preparados para o fato de que a linguagem, a trama e tudo do livro são totalmente adultos e nada a ver com Harry Potter - a não ser o fato de tudo ser britânico! :D Risos



É isso. Comentem aqui o que acharam do livro, ou suas expectativas com relação a ele.

~ Biacinha

16 de abril de 2015

O Código da Vinci [Dan Brown]



Acho que a maior parte dos leitores/cinéfilos/pessoas aleatórias já ouviu falar sobre esse livro, desse autor. Talvez não saibam exatamente sobre o que o livro fala, e talvez até mesmo alguns passassem a não curtir muito o livro depois de lê-lo ou de ouvir um pouco sobre o que se trata.

O Código da Vinci é um dos livros mais lidos no mundo inteiro e inclusive o 20º livro mais vendido [no ranking de livros com mais de 50 milhões de cópias vendidas. No caso, O Código da Vinci vendeu mais de 80 milhões de cópias], contando com outras edições também de outras editoras - tanto da Bertrand Brasil como quanto da Sextante também.

Ele faz parte de uma "série" de livros do autor Dan Brown. No caso, o que conecta os livros dessa série é uma espécie de linha do tempo e o fato de que o protagonista é sempre o mesmo - Robert Langdon. Não há absolutamente nenhum mal em ler 'fora da ordem' [como eu fiz, começando direto pelo Código da Vinci e indo para Inferno], porque a única coisa que mostra essa conexão entre os livros é uma pequena menção ou outra dos acontecimentos de livros anteriores, mas nada que dê spoilers ou, enfim, coisas do tipo.

Para os mais metódicos, a ordem seria: Anjos e Demônios; Ponto de Impacto; Código da Vinci; Símbolo Perdido e, finalmente, Inferno [o mais recente de Dan Brown].
Para os não tão metódicos assim: vamos falar sobre o livro extremamente polêmico cuja adaptação cinematográfica foi quase proibida de ser produzida pelo Vaticano.

Um assassinato dentro do Museu do Louvre, em Paris, traz à tona uma sinistra conspiração para revelar um segredo que foi protegido por uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo. A vítima é o respeitado curador do museu, Jacques Saunière, um dos líderes dessa antiga fraternidade, o Priorado de Sião, que já teve como membros Leonardo da Vinci, Victor Hugo e Isaac Newton.

Momentos antes de morrer, Saunière consegue deixar uma mensagem cifrada na cena do crime que apenas sua neta, a criptógrafa francesa Sophie Neveu e Robert Langdon, um famoso professor de Simbologia de Harvard, podem desvendar.

Os dois transformam-se em suspeitos e em detetives enquanto percorrem as ruas de Paris e de Londres tentando decifrar um intricado quebra-cabeça que pode lhes revelar um segredo milenar que envolve a Igreja Católica.

Apenas alguns passos à frente das autoridades e do perigoso assassino, Sophie e Robert vão à procura de pistas ocultas nas obras de Da Vinci e se debruçam sobre alguns dos maiores mistérios da cultura ocidental - da natureza do sorriso da Mona Lisa ao significado do Santo Graal.

Autor: Dan Brown.
Ano: 2004.
Editora: Arqueiro.
Páginas:421 + capítulo de Anjos e Demônios.

Acho que já deu para ver, pela sinopse, que o livro realmente promete trazer umas discussões bem polêmicas à tona - coisas como Jesus Cristo, Santo Graal e, especialmente, a Igreja Católica [o que ainda me faz pensar que a Igreja deve ter esse livro dando alergia na sua instituição até hoje. RISOS]. E antes de começar, eu sinceramente aviso às pessoas: por favor, comecem o livro com a mente aberta. Claro, nem tudo o que está nele é verdadeiro, mas ainda assim... Para as pessoas "mente fechada", essas coisas podem incomodar bastante.

Já começamos o primeiro capítulo acompanhando o assassinato do curador Jacques Saunière que, segundo a sinopse, está envolvido em alguns grupos bem "polêmicos". Como lemos na sinopse, não é novidade alguma que Jacques antes de morrer deixa uma mensagem, de alguma forma, para sua neta, Sophie, e para o simbologista Robert. Acontece que... o modo como ele é morto, por quem ele é morto e onde ele deixa a mensagem... Já são coisas que deixam o leitor intrigado desde o princípio [ponto para Dan Brown, que sabe fisgar o leitor].

[Este é o livro. Olá]

Durante toda a leitura, acompanhamos Robert e Sophie em sua tentativa desvairada de desvendar quem matou o curador Jacques. Claro que, como simbologista e como um livro de suspense e investigação, teremos muitas idas e vindas dos dois personagens principais e eles quase sendo pegos para, no final, se livrarem e serem perseguidos, etc, etc, etc, etc.

Essa foi uma das coisas que me irritou um pouquinho durante a leitura. Eu não curto muito essa coisa dos herois sempre se safarem ou sempre estarem perto de serem pegos e, DE REPENTE, POR ALGUM MOTIVO DO ALÉM-TUMULO, eles se livram (!!!!). Não suporto esse tipo de coisa e durante a leitura de Código da Vinci essas coisas me irritaram e me fizeram tirar uma estrela ao total [de cinco estrelas]. Quer dizer, o livro poderia ser um pouco mais lógico, certo? Os principais às vezes são pegos e às vezes se ferram demais e muitas vezes eles morrem.

Quer dizer, cadê o sentido disso?

Além do que, não há muito o que falar dos personagens. Há o tipíco protagonista inteligente pra caramba, a garota que se une a ele e também é muito inteligente, e o investigador da polícia que acha que sabe tudo mas não sabe nada [fazendo o Snow] e os ajudantes do investigador da polícia que normalmente podem ser caras descolados, gordos ou idiotas. E, como sempre, há o amigo do protagonista, e o vilão da história. Fim. São personagens típicos, sem muita profundidade psicológica ou qualquer coisa do tipo, com histórias montadas superficialmente [dependendo da importância do personagem] e que de alguma forma se encaixam com a história do livro, em si.

Portanto, o que há de mais rico na história do Código da Vinci não é o elenco.

[Adorei a organização dos capítulos, sem pular muitas linhas ou sem começar em outra página. Gostei mesmo]

De qualquer modo, o restante do livro é muito maravilhoso. Não sei se eu digo isso porque a investigação é feita de uma forma inteligente, lógica e racional, ou se digo isso porque as coisas que envolvem a investigação são perfeitamente polêmicas ou, então, se é porque ao ler essas coisas polêmicas eu fiquei bastante feliz [curto coisas polêmicas, especialmente envolvendo instituições poderosas como o Vaticano].

Aliás, uma coisa que realmente me agradou foi a veracidade de certas coisas que são importantes no livro [como o Priorado de Sião, Opus Dei...]. Logo no começo do livro, temos uma página falando sobre a veracidade dos assuntos, e também sobre os detalhes das obras de arte, dos autores, pintores, etc. Isso torna a história ainda mais interessante, porque você fica se perguntando "e se as coisas que não são verdadeiras... Fossem?".

Mas o que realmente me interessou foi a polêmica.

Caso vocês não saibam, ou sei lá, não tenham notado ainda, Código da Vinci tem seu enredo todo envolvido pela Igreja e pelos pontos da religião católica [Jesus, Maria Madalena, Santo Graal, etc] e o autor, Dan Brown, toca em assuntos e em questionamentos que talvez não sejam muito legais para o Vaticano ou até mesmo para muitos católicos ao redor do mundo. Ao mencionar o Opus Dei, por exemplo [uma organização extremamente conservadora da Igreja Católica que é conhecida por "mortificações corporais", ou seja, penitências corporais, autoflagelamento, etc], o autor talvez esteja tocando em uma ferida que está aberta e que não vai se fechar nunca. Toca em pontos do Vaticano que, eu acho, o atual Papa não queira falar muito sobre.

Ao mencionar Maria Madalena, Jesus e Santo Graal [que poderia ser o Cálice usado por Jesus na santa ceia, OU que é "alguma coisa" relacionada a Jesus e que foi procurada pelo Rei Artur e pelos cavaleiros da Távola Redonda - segundo o mito do Graal - mas que, no Código da Vinci, tem um significado extremamente polêmico para o Vaticano e para católicos mais fervorosos, talvez], acredito que Dan Brown esteja tocando em assuntos que não sejam tão agradáveis de serem discutidos, que não são muito bem aceitos - pelo que deu para perceber - e que, certamente, não são bem vistos por organizações como o Opus Dei.

E isso é legal.

Nada contra o Vaticano, claro, mas eu gosto de livros que cutuquem feridas. Gosto de livros que propõem questionamentos e que, especialmente, façam as pessoas duvidarem do que já escutaram/aprenderam. Não em especial sobre o Vaticano, mas sobre qualquer coisa! Qualquer coisa que promova um questionamento mais avassalador, para mim, é digno de atenção. Por isso gostei tanto de O Código da Vinci; porque ele propõe esse questionamento... Sobre a Igreja e tudo o que ela já alegou.

[Esse é Robert e essa é a Sophie. Atrás, temos a famosa Mona Lisa]

Continuando e deixando as polêmicas de lado, eu diria que Código da Vinci é um dos livros mais lidos, mais vendidos e mais adorado no mundo justamente pelo questionamento que ele traz, pelas coisas que ele aponta e critica e, especialmente, pela escrita.

Eu nunca havia lido Dan Brown antes e, preciso confessar, eu julgava extremamente o autor. Não sei o motivo, mas eu achava que os livros eram ruins ou que, sei lá, eram muito românticos (?). Ainda bem que comecei a ler esse livro, porque eu enxerguei que o autor é muito bom, e que escreve realmente muito bem.

De qualquer modo, o desenrolar do livro e da investigação são bons... Mas o final é um tanto quanto decepcionante. Quer dizer, eu esperava mais, de fato. Eu esperava algo surpreendente de uma forma mais lógica, e não o que aconteceu.

Sem querer dar nenhum spoiler sobre o final ou sobre a história do livro em si, eu acredito que devo falar que, talvez, essa história prometa demais durante o desenrolar de tudo, mas que ao final... Ela é um tanto quanto normal. Eu esperava uma coisa maior, esperava uma grande revelação, esperava QUALQUER COISA MAIS ABSURDA E MAIS LOUCA, mas não o que aconteceu!! Fiquei seriamente chateada com Dan Brown [apesar de que ele está cagando para isso] e com esse final.

Eu queria mais. Esperava mais.

Apesar disso, o livro continuou com quatro estrelas no skoob porque de fato tudo o que envolve a história e a investigação é sensacionalmente polêmico e [FODA] maravilhoso. Eu gostei demais disso, e chegou até a superar esse final meio decepcionante.


No final das contas, o livro é ótimo e a escrita também. Se você quiser ler, prepare-se para ler coisas um tanto quanto questionadoras.

Como eu já vi o filme, pretendo dar aquela resenhada também. O que já posso adiantar é que, mesmo sendo um tanto quanto fiel... O filme deu um jeito de destruir a "ideia questionadora principal" do livro - com somente uma mudança em uma fala, de uma cena.

Até lá :D