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7 de setembro de 2014

Balanço Geral: Bienal de São Paulo!



    E como prometido... Aqui está o meu post especial sobre o fim dessa Bienal. Claro que, como não fui à Bienal de São Paulo, não posso falar exatamente qual foi minha experiência lá, nem como eu adorei ter ido, ter comprado as coisas... Enfim. Uma pena. 

    MAS como nossos autores parceiros Diego e Paul foram à Bienal, eu pude contar com os relatos deles sobre suas experiências, que é sobre o que irei falar também. Claro que, de restante, tive que pescar algumas informações em outros sites sobre essa matéria, e falei com pessoas que foram somente para comprar/ver os autores favoritos e tudo mais.

    Então, vamos aos números!

    Apesar do que muitos pensaram, a Bienal de São Paulo não encheu tanto quanto a edição de 2012 (que teve o recorde de pessoas): foram 720.000 pessoas andando por entre os estandes, suando para conseguir senhas, gastando pra caramba, reclamando de filas para ir ao banheiro-bebedouro-entrar-sair-comprar e também reclamando dos preços.

[Foto de Chico Prado/Rádio Bandeirantes]

    Certamente que, como vocês podem ter notado, os preços dos livros mais "procurados" não estavam tão acessíveis quanto antes. Vimos muitas edições por preços normais, preços "baratos", mas não tão baratos quanto nos sites de vendas e também vimos livros que estavam até um pouquinho mais caros do que aqui fora! (aconteceu com alguns box de sagas). Sim, isso foi uma DROGA! Afinal de contas, quando você pensa em Bienal, você pensa em... COMPRAR! E infelizmente você não consegue comprar tanto assim, tendo em mente que algumas editoras/estandes de livrarias - como Saraiva - mantiveram seus preços casuais.

    Por outro lado, tivemos também os preços mais "acessíveis", de livros bons e famosos, mas não tão reconhecidos assim. Vi gente que comprou mais de dez livros, sabendo aproveitar dos descontos de momento, das pequenas promoções e ganhando MUITOS brindes caso comprasse o livro tal - blusa, sacolas, bottons, etc, etc, etc (e admito que fiquei me coçando de inveja).

[Esse é o saldo da Bienal da Paula Graciella, participante do grupo de leitores "Leitores Anônimos", no facebook. Essa soube aproveitar bem o tempo e o dinheiro]
[E esse é o saldo da Mainara Oliveira, também integrante do "Leitores Anônimos"!]

    Mas, claro, já sabemos de tudo isso. Infelizmente, se você quer ir à Bienal comprar todos os livros que deseja para encher sua estante... É melhor juntar um bom dinheiro, e procurar diretamente nos estandes das editoras, porque nos das livrarias... Nem sempre você terá sorte em conseguir um bom desconto. E que a Bienal vale mesmo à pena para ver os lançamentos, saber notícias daquela saga paradona que não é publicada/atualizada há alguns meses, anos ou décadas e ver seus escritores favoritos dando palestras, ou pagando o maior mico com seus cosplays.

    E, falando neles, vamos aqui a alguns dados interessantes sobre a Bienal.

    Os livros mais vendidos, se em comparação com a Bienal de 2012, foram... NACIONAIS! Sim! O Brasil está tomando conta das vendas da Bienal, e levando mais lucro para editoras e estandes do que os livros internacionais, desses autores megaultrablaster famosos. Não que os internacionais sejam ruins e tenham que arder no inferno, mas é que isso mostra que a nossa literatura está crescendo cada vez mais no coração dos leitores! Quero dizer, antes ela era tão desvalorizada, tão largadinha... E agora, está crescendo tanto que chega a ser mais vendida na Bienal que os livros internacionais! Isso é MUITO legal!



    Me aproveitando do post da revista Veja, em seu site, eu colocarei aqui os dados mais interessantes sobre as vendas pra vocês.

    Aos fãs de John Green, sinto decepcionar dizendo que o autor caiu para segundo lugar de "mais vendido" no estande da Intrínseca, com seu sucesso 'A Culpa é das Estrelas'. O livro que bateu o grande astro foi "Não Se Apega, Não", da autora Isabela Freitas, que fala sobre superar o fim de um relacionamento, etc e tal. O que também é BEM legal, porque A Culpa é das Estrelas foi um dos maiores sucessos de todos aqui no Brasil - altas 'tretas' sobre ser modinha, não ser modinha, ser ruim, ser bom, ser clichê, ser inovador, ser romântico nojento, ser cancerígeno... Enfim - e ver que esse livro atual, novo, e nacional ultrapassou as vendas de John Green... É algo sensacional!

    Também temos, no estande da Record, outro livro nacional em primeiro lugar: Carina Rissi, com "Encontrada", que ficou na frente de dois títulos de "Instrumentos Mortais" da tão amada Cassandra Clare - que, aliás, estourou a população da Bienal nos dias de palestra e autógrafos! No dia 23, quando esteve lá, a população atingiu um de seus recordes de público, nessa edição, e tivemos até uma garota desmaiada [medo] - e, logo após, vem Paula Pimenta com "Princesa Adormecida", livro que ela lançou na Bienal e que está à venda nas lojas mais próximas a você - ou nos sites mesmo, enfim.

[Paula e seu lançamento, Princesa Adormecida. Fotos do fotógrafo do estande]

    No estande da Rocco - conhecida pelos seu sucesso imortal, eterno e adorado: Harry Potter - tivemos Carolina Munhoz e Sophia Abrahão, com seu livro "O Reino das Vozes que Não se Calam", que foi o mais vendido do estande, seguido por "Meus Quinze Anos", de Luiza Trigo, Raphael Draccon, com "Cemitério de Dragões" e Thalita Rebouças, com "Fala Sério, Mãe!". E todos esses na frente de Divergente, da Veronica Roth, que ocupou o quinto lugar dos mais vendidos na Bienal!!! E vejam só, Divergente tem filme, tem Shailene Woodley, tem livrinhos compactos e robustos de capas lindas... Quer dizer, essa é a literatura nacional crescendo de uma forma exponencial, vertiginosa e incrivelmente fantástica!!

    Sobre as outras editoras: na Arqueiro tivemos, em ordem de "mais vendidos", os livros 'O Doador de Memórias', de Lois Lowry, 'A Maldição do Tigre' - e derivados - da Colleen Houck, e 'Seis Anos Depois', de Harlan Coben. Na Novo Conceito, tivemos "Se Eu Ficar", sucesso que foi lançado para as vendas graças à adaptação cinematográfica com a Chloe linda como protagonista [e que é uma duologia, mas ok], "Sete Irmãs", de Lucinda Riley e "Belleville", de Felipe Colbert. Na Companhia das Letras, "A Seleção" e "Cartas de Amor aos Mortos" lideram o ranking e na Globo Livros, "1889", de Laurentino Gomes [que eu estou lendo agora, risos] e "O Silêncio das Montanhas", do meu segundo autor favorito Khaled Hosseini, também estiveram entre os mais vendidos.

[Esta é a galera que comprou o livro da Sophia e Carolina]
[Fot de Caio Duran /AgNews]

    Mas é claro, é óbvio, é evidente que não daremos atenção especial a esses autores específicos. Estou aqui pra falar sobre o sucesso dos nossos parceiros, Diego de Lima e Paul Fabien, na Bienal! Os dois me deixaram muuito feliz em ver que venderam muito, que fizeram seus editores ficarem surpresos, que deixaram o povo da Bienal intrigado e que fizeram todos saírem de seus estandes com um exemplar de cada livro deles nas mãos.

["Amazônia - Arquivo das Almas" na mesinha do Paul. Fotos do fotógrafo do estande]

    Paul é autor de "Amazônia - Arquivo das Almas" e estava na Bienal para promover sua segunda edição do livro. A primeira, como devem lembrar, estava com alguns errinhos de digitação (coisas bobas) e que foram consertados na segunda edição! Além do que, eu ainda espero a continuação do livro (risos).

    Durante a Bienal, Paul recebeu a visita de muitos jovens em seu estande que, aliás, já sabiam sobre seu livro de ante-mão! Pelo que disseram, viram na internet, se interessaram e estavam ali para comprar. Quer dizer, isso é incrível! Um autor ser reconhecido em plena Bienal é algo maravilhoso, algo indescritível [algo que eu ainda quero passar por], e eu fiquei muito feliz pelo Paul em ver que ele está fazendo tanto sucesso. Ele realmente merece palmas, porque seu livro é mesmo muito bom!


[Este é Paul. Percebam o sorriso contido dele, quando, na verdade, gostaria de estar surtando por conta das vendas e do sucesso Q]

    Se você quer saber mais sobre o livro, ou sobre o Paul, pode acessar os links do facebook dele, ou ler a resenha aqui do blog sobre seu livro!

[E esses são os dois livros. À esquerda, o "Sentel York I - Os Três Imperadores" e à direita "Sentel York II - A Batalha Pelo Amanhecer". Fotos do fotógrafo do estande]

    O Diego também fez o maior sucesso. Vendeu tanto, mas tanto, que o editor anunciou que o terceiro livro terá a publicação adiantada! Quer dizer, isso é maravilhoso! O livro vende tanto, que adianta a publicação? Acho que isso significa nada mais, nada menos que Sentel York - a Trilogia é um sucesso! E o Diego mesmo disse isso quando comentou sobre sua ida à Bienal. As pessoas passavam, se interessavam pelas capas e entravam para saber mais! Os adolescentes ouviam às histórias e ficavam impressionados, querendo saber mais sobre tudo, querendo comprar! Eu realmente acho que isso significa SUCESSO!
    
    Caso não se lembrem, Sentel York é uma trilogia cujos primeiros livros já foram lançados: "Os Três Imperadores" e "A Batalha Pelo Amanhecer" e que também já foram resenhados aqui no blog. Acho que vocês devem recordar, pelo menos, daquela capa azul brilhante e linda que eu postei aqui! Gente, que capa maravilhosa.

[Diego assinando seu livro "Sentel York II - A Batalha Pelo Amanhecer"]

    Mas, enfim, para mais informações... Basta acessar a página do Diego no facebook, o site da trilogia ou a página da trilogia no facebook :D

    Claro que tivemos muito mais coisas. Saldos negativos também foram vistos durante toda a Bienal. Tivemos correria quando os fãs de Cassandra Clare entraram, tivemos muitas filas, muitas filas, muitas, muitas, muitas filas, e livros que não estavam com os preços tão acessíveis! Mas acho que devemos sempre lembrar das partes mais legais e positivas da Bienal:

- Ken Follett lança seu terceiro e último livro da Trilogia O Século [PRECISO], que tem uma capa linda, e diz que pra se escrever um livro é preciso pensar que, bem, as pessoas vão querer ler isso!

- Pedro Bandeira anuncia a volta de "Os Karas"! Série que marcou a juventude de MUITA gente e que ainda marca as vidas de muitas pessoas, quando comentamos "droga do amor" ou "droga americana"... Essas coisas de livros e títulos.

[Google q]
[Este é Pedro Bandeira. Pedro disse que vai voltar com a série "Os Karas". Pedro, você fez muito bem. Muito mesmo]

    E muitas novidades e lançamentos que bateram recordes de vendas!

    Eu acho que a Bienal vale muito a pena, e eu IREI à Bienal do Rio, no ano que vem! Quando chegarmos mais perto da data [risos] eu direi os dias em que estarei lá e, certamente, levarei brindes, bottons, essas coisas todas de sempre [AHUHUAHUA].

    Espero que tenham gostado do saldão, e no sábado que vem farei uma resenha de um dos livros que faz o maior sucesso nas redes sociais, que está agitando os leitores, e que está fazendo inveja na Suzanne Collins: Cidades-Mortas, do autor Dêner Lopes!

[Esta é a capa do livro de Dêner. Não é bonita? Não é legal? Não dá vontade de ter o livro? Pois é Dêner, isso é uma direta Q]

    Pra quem não sabe, o livro é inspirado em Jogos Vorazes, a trilogia, e está fazendo MUITO sucesso! Vários blogs resenharam, centenas e dezenas de pessoas leram e Dêner está praticamente saindo nos jornais!

    Então, até semana que vem

    Ana

1 de março de 2014

A Dádiva da Escuridão [Presas] - Marco de Moraes



    Mais uma resenha para vocês! E dessa vez vamos falar sobre um livro que, confesso, me surpreendeu bastante (adoro quando sou surpreendida por novas leituras ^^) e que me fez mergulhar de cabeça num mundo sombrio, terrificante e poético.

    Acho que quem leu meu último post de parceria talvez esteja adivinhado que o livro sobre o qual estou falando é A Dádiva da Escuridão, primeiro exemplar da saga Presas, do nosso autor parceiro Marco de Moraes. Claro que está escrito no título o nome do livro e do parceiro, mas eu gosto de fazer mistério mesmo assim.

    Antes de arremessá-los nesse mundo sem volta, vamos, primeiro, ler algumas informações sobre o livro:

"Estas são as lembranças de um andarilho que teve de recomeçar sua jornada quando se vê em um sombrio e nebuloso pântano, rodeado de cadáveres humanos. Perdido e amedrontado por não lembrar-se sequer do próprio nome, percorre florestas e estradas em busca de sobrevivência e acaba entrando em contato com o povo de um humilde condado. Além de percorrer suas vagas recordações e tentar entender a magia que o atrai tanto àquele lugar, ele ainda deverá enfrentar os filhos da noite, as sanguinárias criaturas que insistem em persegui-lo.
Neste cenário perturbador e atraente, as horas parecem dias, criando uma mistura de pesadelo e realidade; e os limites entre luz e escuridão se perdem a cada dia em meio a névoa, fazendo com que essas criaturas dominem e perdurem na escuridão."

Editora: Novo Conceito [Novos Talentos]
Ano: 2013

A sinopse já deixa bem claro que o clima em "A Dádiva da Escuridão" é sombrio, que é repleto de névoa e um mundo lotado de criaturas noturnas sanguinárias. Na verdade, ele consegue ser muito mais sombrio do que aparenta, e logo de cara, somos forçados a enxergar o mundo feudal de Marco através do ponto de vista de um homem, o protagonista, desmemoriado.


    Acredito que esta saga possua alguns diferenciais, mas este livro, especificamente possui muitos pontos positivos que me agradaram e muito! O primeiro, com toda a certeza, foi a capa.

    Não sei se vocês repararam, mas a capa me lembrou MUITO da capa de A Menina que Roubava Livros, do Markus Zusak, com a árvore e tal, e eu me apaixonei logo de cara por ela (tanto por "Menina" quanto por "Dádiva"), porque eu adorei esse design com a árvore negra e tudo mais (por mais que a árvore do livro de Zusak esteja bem mais pra trás, aparecendo totalmente...). De qualquer forma, a capa de "A Dádiva da Escuridão" é linda e sombria, e me fez entrar totalmente no clima da história.

    Aliás, o nome da saga ficou muito bom assim, grande e maior do que o nome do Marco e do primeiro livro. Eu, particularmente, achei muito interessante.

    Penso que o segundo ponto a favor do livro tenham sido os mapas. Há três mapas no final do livro, de três diferentes condados (lembrando que a história se passa mais ou menos na época feudal, na Idade Média), e ilustrando totalmente o que é descrito no livro. Isso me agrada muito, porque normalmente os autores escrevem, por exemplo, o caminho para um castelo ou para uma vila, mas nem sempre todos os leitores terão uma noção muito boa de espaço ou conseguirão formar a imagem da estrada em suas mentes. Os mapas auxiliam nisso, e, confesso, desde que li Deltora Quest e As Crônicas de Gelo e Fogo fiquei mal-acostumada com mapas.

(Este é o mapa de um dos condados. O primeiro que aparece no final do livro)

    De qualquer forma, além dos mapas, da linda capa e de "Presas" aparecendo em destaque, eu posso afirmar com toda a certeza, que um dos principais motivos para que A Dádiva da Escuridão tenha chamado minha atenção - e consequetemente, a sua - é a escrita fabulosa de Marco.

    E, com licença, mas ela merece destaque.

    Marco, diferentemente da maioria dos autores que esbarramos por aí, não escreve "diretamente". Acho que todos se lembram do post sobre a parceria com ele, no qual eu comento sobre a escrita observadora e poética do autor e sobre como ele é capaz de nos colocar em diferentes situações com suas frases encantadoras. Pois bem, eu não estava mentindo (até porque, eu nunca mentiria sobre algo. Sempre falo imparcialmente sobre o que achei da leitura!), e a escrita de Marco realmente tem um sabor muito diferente da escrita da maioria dos autores.

    Ele consegue escrever tudo de um jeito muito, muito poético, mas não cansativo!, e que deixa a história totalmente submersa no clima sombrio e medieval. Isso é muito especial, porque nem sempre lemos uma história passada na época medieval e que transmite essa mesma sensação, e acredito que um dos motivos para nos fazer sentir assim, é que Marco criou falas e pensamentos coerentes com a época, escritos na linguagem formal e antiga. Como vemos, nessa frase: (obs.: não tem spoiler!)

"- Como? Digo, seria blasfêmia a me esbaldar com o sagrado sangue do Senhor! Na igreja tenho vinho para as missas dominicais... mas pouco te interessa, porque se entrasses na casa de Deus, tua carne queimaria e serias julgado por Ele! Por que falas comigo ainda, renegado do Senhor?! Afasta-te de mim!
[...]

-Tu és astuto  com tua língua afiada de cobra! Tu só sabes cuspir o veneno que pode corromper qualquer um! Afasta-te!"

    E a linguagem é medieval durante toda a leitura, nos fazendo esquecer que estamos no século vinte e um, em 2014, mas nos arremessando totalmente para esta época medieval!

    Aliás, uma outra técnica incrível e maravilhosa que há durante a narrativa é a poesia e alguns versos que Marco coloca. Se lerem com atenção, perceberão que em certas frases há rimas e em alguns pontos surgem certos versos que nos prendem à época medieval e não nos deixa mais sair dela. Isso é incrível, porque eu tento imaginar os versos escritos em falas, mas não consigo de jeito algum e acredito que o livro e a história só seriam perfeitos do jeito que praticamente são, por conta destes "detalhes":

"Quando chegou mais perto, vi seu rosto sem forma e seu grande remo de prata que era, na verdade, uma foice. Saquei da espada, apontado para aquilo. Eu estava imóvel e sem saber como agir; ergui a espada sem querer atacar. Perguntei uma vez mais:

-Quem é?

A barcaça parou à orla do pântano. Ouvi uma voz:

-Tu me vês porque as coisas são.
Não desvias teu olhar rendido à tentação.
Apresentamo-nos sem cumprimento, sem afago
Sou quem te levará lá do lago.

-Pelo que aparenta, é um servo do diabo!

-Eu conduzo para onde não há abrigo.
Apenas corto e carrego o trigo.
Todos me conhecem,
até o que se esquecem.
Se sentes minha presença.
Então, não temes a tua sentença."

    E das duas vezes em que li esta parte (e as outras com versos) eu só consegui ficar encantada. Por favor, você que acabou de ler esta parte, não ficou incrível?! Não ficou esplêndido o modo como ele criou toda a situação e a poesia, e misturou todo o seu talento para criar cenários sobrenaturais com a poética e nos submergiu numa situação destas? Ficou maravilhoso! (Obs.: Marco, você escreve muito!)


    Misturando a poesia com a incrível escrita de Marco, nós temos uma história brilhante, com um enredo magnífico e personagens muito atraentes! Estes são os outros dois motivos para deixarem todos com os olhos vidrados nas páginas: personagens bem criados, modelados e que não são nem um pouco clichês e também um enredo de encantar qualquer um.

    Durante a história, acabei chegando à conclusão de que Marco possui um leque grande de personagens, porque ele não se importa em matar quem for preciso matar (mesmo que ele seja "importante" ou que tenha "destaque", por exemplo). O que deixa a história muito mais 'real', afinal de contas, isto se passa num condado medieval, e as mortes ocorriam a rodo. Os personagens são descartados conforme a lógica da história se movimenta, e isso também me deixou muito satisfeita, porque algumas vezes a história pede para certo personagem morrer, mas o autor simplesmente se RECUSA a matá-lo! E acaba deixando a história meio ridicula/monótona/clichê.

    Este livro possui uma história fantástica, como eu já disse algumas vezes e não me canso de repetir, e vale muito à pena ser lido e relido. O enredo é muito especial, não somente pela escrita de Marco, pelos versos, pelos personagens bem montados e pela lógica, mas também porque foi muito bem montado, é uma história criada com cuidado e preparada atenciosamente pelo autor. Um daqueles enredos que demora para apresentar um único erro (até agora, não achei nenhum. E, acreditem, eu procuro HAHAHA), e que possui reviravoltas e descobertas muito interessantes e surpreendentes! (o que dizer do final do livro? Estou comendo meus dedos, esperando pelo segundo!! E olha que é difícil um livro me deixar ansiosa assim, poucas sagas conseguiram - e aqui eu incluo As Crônicas de Gelo e Fogo, Harry Potter e a eterna 'trilogia' Millennium).

    As explicações para cada fato, os fatos, os personagens, tudo foi muito bem moldado e lacrado nesta escrita fantástica. Não tem como não ler A Dádiva da Escuridão e não amar a história e nem ignorar a existência do segundo livro (e nem deixar de se surpreender com revelações finais, e com o próprio final). Até agora estou me perguntando como será a continuação da saga, porque eu tenho MUITAS dúvidas e perguntas (e só uma saga até hoje me deixou assim: Jogos Vorazes).


    Esse livro me salvou de uma fossa literária que eu estava, ligada ao "ser" tema dele (quem ler, vai saber), porque uma série aí me deixou muito extremamente decepcionada com certos seres e eu acreditei que somente um livro poderia me salvar. Mas, veio Dádiva, e cá estou eu amando novamente esses monstros <3

    Eu realmente espero que vocês leiam, que comprem o livro porque ele vale MUITO à pena ser comprado e lido, e que anseiem pelo segundo exemplar da saga Presas. Porque é muito difícil, de verdade, encontrar um livro assim com uma escrita tão boa, com um mundo tão bem moldado, com falas coerentes... Enfim, é difícil encontrar um diamante desse no meio de tanto grafite.

    De qualquer forma, caso queiram saber mais sobre o livro, basta acessar os links do facebook, da página do livro, do booktrailer, ou os de compras da Travessa e da Saraiva!

    Até mais,

    Ana :D

21 de fevereiro de 2014

Parceria - Marco de Moraes



    Fala aí, povo! Então, estou aqui para anunciar a mais nova parceria do blog. Um cara que, pelo o que eu pude ver, curte muito escuridão e poesia e que escreve de um dos jeitos mais interessantes e instigantes que eu já vi na história!!

    Vamos conhecer um pouco mais do nosso novo autor parceiro Marco de Moraes, autor da saga PRESAS, cujo primeiro livro é "A Dádiva da Escuridão"


   Este é o Marco ("Olá, Marco"), e ele é um carioca nascido em 1983, que se formou como bacharel em Turismo e tem MBA em Gestão Empresarial. Acredito que mesmo sem ter visto essas informações, eu poderia adivinhar claramente que Marco, além de escritor, é um poeta deveras talentoso por conta da leitura de seu livro, A Dádiva da Escuridão. Através de sua escrita detalhada, Marco conduz o leitor através de um mundo sombrio e repleto de surpresas, também destacando as coisas boas e ruins que podemos enxergar na vida.

   Seu primeiro livro publicado é A Dádiva da Escuridão, o primeiro livro da saga Presas.


   Presas - Livro 01: A Dádiva da Escuridão.

    "Estas são as lembranças de um andarilho que teve de recomeçar sua jornada quando se vê em um sombrio e nebuloso pântano, rodeado de cadáveres humanos. Perdido e amedrontado por não lembrar-se sequer do próprio nome, percorre florestas e estradas em busca de sobrevivência e acaba entrando em contato com o povo de um humilde condado. Além de percorrer suas vagas recordações e tentar entender a magia que o atrai tanto àquele lugar, ele ainda deverá enfrentar os filhos da noite, as sanguinárias criaturas que insistem em persegui-lo.
Neste cenário perturbador e atraente, as horas parecem dias, criando uma mistura de pesadelo e realidade; e os limites entre luz e escuridão se perdem a cada dia em meio a névoa, fazendo com que essas criaturas dominem e perdurem na escuridão."


Pois bem. O livro é muito mais incrível do que aparenta ser (acreditem, eu acabei de lê-lo. Estou morrendo de vontade de continuar, mas infelizmente o próximo ainda não está em minhas mãos), e Marco, como lemos na bibliografia, tem um talento sobrenatural de nos colocar dentro de ambientes sombrios e terrificantes. Usa do seu dom da poesia ou de alguns versos e nos encanta com sua escrita fascinante.

O livro terá resenha em breve, provavelmente postarei na semana que vem.

Para quem quiser saber mais sobre este exemplar, pode acessar o Booktrailer no youtube, a página do livro ou então o facebook do livro. Se quiserem comprar, o livro está disponível na Livraria da Travessa, na Saraiva e em outras lojas virtuais ou não.

Até a próxima,

Ana :3

21 de dezembro de 2013

Escrito Sob Fogo e Sangue - A Decisão [Adrieni Yassine]



Então, hoje venho com a resenha do livro A Decisão, primeiro livro da saga Escrito Sob Fogo e Sangue, da nossa autora parceira Adrieni Yassine.

É um livro realmente interessante por alguns aspectos e eu confesso que estou ansiosa para o lançamento do segundo livro - por conta de tais aspectos.

Bem, vamos mergulhar agora no mundo de magia de bruxas elementais.






"As histórias de amor e de luta são recheadas de magia, fogo e sangue. As raças expulsas, bruxas e magos iniciam seu retorno para o planeta azul. Elas se misturam, se amam e se odeiam. Afinal, viveram com os humanos.
O equilíbrio está na superação individual, as diferenças são marcadas por Kir e Destroc, os pais do redentor, aquele que unirá as forças de todas as raças."







    Este primeiro livro fala sobre o amor de Kir e Destroc, uma bruxinha que vivia na Floresta com as outras bruxas - incluindo as elementais e Lanah - e que tem como missão fazer Destroc, um antigo mago que se tornou extremamente mau e amargurado, se livrar de todos os espíritos malignos que o cerca.

    Durante toda a leitura, vemos o quão importante é a harmonia entre os seres e o planeta - as florestas, as praias, enfim, todos os ecossistemas existentes - para garantir a existência e sobrevivência das bruxas - e dos seres humanos também, é claro.




    O livro tem um enredo muito interessante. Como deu pra perceber na sinopse - e já foi falado também - o livro tem toda uma áurea de magia, com bruxinhas, e encantamentos, e Palácios antigos e histórias ainda mais antigas - de outras vidas, inclusive. Falando sobre isso, gostaria de comentar que gostei bastante do link que a autora fez ('magia' e espiritismo - magia entre aspas porque cada um tem sua própria visão de magia, então, enfim) porque ficou bem... Entrelaçado e fazia sentido - não adianta nada a pessoa pegar dois temas interessantes e tentar entrelaçar, mas os dois não fazem o menor sentido! Nesse quesito, Escrito Sob Fogo e Sangue me ganhou.

    Ainda falando sobre esse 'link' entre magia e espiritismo, eu diria que o livro, em si, me lembrou bastante um outro que li há algum tempo - na verdade, há muito tempo - e que se chamava O Cavaleiro da Estrela Guia. Não sei se a autora já leu este ou algum outro livro dessa série, mas muitos aspectos, como as batalhas pelos Pilares do Dom, me fizeram pensar n'O Cavaleiro da Estrela Guia - não digo que é a mesma coisa, porque realmente não o é, mas me lembrou bastante!

    Outra coisa que me fez pensar nesse livro espírita foram as mensagens que a autora quis passar durante a leitura - ter fé, ser otimista, ter coragem para enfrentar seus próprios espíritos malignos e criar seus Pilares do Dom (durante a leitura vocês vão entender o que são esses tais 'pilares'). Também não eram as mesmas mensagens, mas de uma forma ou de outra, tinham a mesma essência.

    Deixando de lado esse aspecto levemente espírita dos livros, uma coisa que me fez "sorrir bastante", digamos assim, foi a 'preocupação' com a natureza existente nesse livro.

    Não sei se quem está lendo essa resenha agora ao menos leu o meu texto em 'Quem Escreve', mas eu faço biologia e pretendo ser Bióloga Marinha. E, claro, como uma futura bióloga marinha eu me preocupo - e muito - com o meio ambiente e com o equilíbrio entre os ecossistemas. Afinal de contas, cada família, cada espécie existente na natureza é importante por conta da cadeira alimentar, e sem ela não há predador, e sem predador causa um desequilíbrio ecológico, etc, etc, etc. Não vamos falar sobre ecologia agora haha.

    De qualquer forma, a história diz que as bruxinhas, para viverem em paz na Terra, elas precisam estar sempre em contato com um meio ambiente puro, mas que, infelizmente, as empresas dos 12 líderes mundiais mais 'terríveis' estão destruindo com tudo (aí que entra o grande objetivo delas: ir para a Terra, ajudar os 12 líderes em suas batalhas pelos Pilares do Dom, afastarem os espíritos malignos e construírem um caminho do bem) e isso detona com a saúde 'mágica' das bruxas. E, uau, Adrieni conseguiu fazer uma crítica fantástica ao mundo de hoje: as pessoas não ligam pro meio ambiente, pois só querem saber de 'aumentar', 'expandir' seus impérios.


    A narrativa é feita em 3ª pessoa, na maior parte, mas em 1ª pessoa quando a autora está falando sobre Kir - na realidade, algumas vezes isso varia, o que me deixou levemente confusa, mas nada demais. Dá pra levar numa boa - e eu encontrei uns pequenos erros durante a leitura. Por exemplo, em sua primeira aparição, o mordomo de Destroc é apresentado como sendo Nelson Salvador (um nome bem peculiar, aliás, e que eu achei engraçadíssimo), porém, em suas aparições posteriores, Nelson era "reapresentado" como sendo Alfredo Salvador! Assim como o redentor, quando apresentado com letras maiúsculas, era JUSTIN e com letras minúsculas era Justine. Confesso que prefiro Justine, porque é diferente de Justin e Justin é um nome muito comum (haha). A sensação que eu tive foi que a autora escrever o livro, porém teve que parar, e quando retomou a escrita acabou, não sei, esquecendo algumas coisas ou mudando coisas depois da metade e não mudando antes da metade. Não sei se é da minha edição, aliás.

    De qualquer forma, isso não abala a leitura e não atrapalha em nada o entendimento da história, cujo enredo é simples e de rápida compreensão.

    Ainda falando sobre o enredo e sobre os personagens, uma única coisa que me deixou meio... Irritada - não é essa a palavra, mas esqueci o adjetivo agora hahahaha - foi o fato de que todas as bruxinhas eram unicamente boas, unicamente otimistas e unicamente fofinhas. Era quase como se todas elas fossem uma só pessoa, dividida em algumas partes - que originaram as bruxas. Ok, faz sentido, mas, não sei, não sou muito fã de personagens muito fofinhas, otimistas e boas (confesso que tenho quedas/precipícios por Lolitas e Kevins da vida)



    Uma coisa que me fez 'cair de amores' pelo livro foi o fato de que há um redentor, e este sujeito era, inicialmente, filho de Cristo e Maria Madalena. Não perguntem porque - fica a dica - mas eu amei quando ela disse que Cristo e Madalena tiveram um filho e que ele era o responsável pela salvação e harmonia entre as mais diversas raças sobrenaturais (porque, além das bruxas, também existem os lobisomens e vampiros). Veja bem, eu não sou católica (sequer sou monoteísta - coisa de família) e não faço ideia se Maria Madalena aparece na religião católica, mas eu acho que já ouvi falar - mas sempre que eu tento entender porquê, diabos, Cristo e Madalena não podiam ter tido nenhum tipo de... relação, ou filhos, minha mente entra em pane. Eu simplesmente não consigo entender! 

    Eu sempre ouvi as pessoas mais fervorosas e obcecadas por suas religiões dizendo que Cristo e Madalena não tiveram nada porque ela era uma maldita, uma pecadora (?) e que isso, e que aquilo outro (tanto que quando a Lady Gaga apareceu vestida de Maria Madalena no clipe Judas, muitas, muitas pessoas criticaram a mulher e começaram a surgir boatos - meio malucos - de que ela tinha um pacto com Satã. ???- enquanto que eu passei a admirar a mulher, por conta justamente disso. q), e eu sempre fui contra isso! Não faz sentido. De qualquer modo, deixando de lado esse embate polêmico sobre Madalena, Lady Gaga e Satã, eu adorei essa ideia dela - e faz ainda mais sentido. Afinal, o redentor seria filho dos dois e meio que 'continuaria o trabalho do pai'. Eu não sei, não entendo isso.

    As mensagens que a Adrinei passa, durante a leitura, são realmente muito boas. Eu concordei com algumas, claro, mas com outras... Bem, discordei completamente - o que é normal, afinal de contas, se todo mundo concordasse e discordasse das mesmas coisas, o mundo seria uma total chatice (e hipocrisia, o que, na verdade, ele já o é) - como quando ela falou sobre a bondade total no ser humano (ou era sobre um mago que era totalmente bom, algo assim). Eu não acredito que exista - ou que deva existir - uma bondade total. Acho que somos feitos de equilíbrio, e que precisamos tanto do lado escuro quanto do lado claro para existirmos em harmonia. É mais ou menos como o 'yin-yang'. Também não concordei sobre aquele otimismo todo, mas é porque eu sou a pessoa mais realista que existe, e, nesse caso, posso ser muito pessimista de vez em quando (mas, ei!, a culpa é - das estrelas, q - da realidade que é pessimista u.u )

    Anyway, eu gostei bastante do livro. Mesmo. Gostei da escrita simples e fácil da Adrieni, gostei das personagens - por mais que elas sejam praticamente o oposto meu HAHA - e também gostei do incrível link magia/espiritismo/algo a ver com o espiritismo (nunca sei identificar esse tipo de coisa).

    Espero ANSIOSAMENTE pelo segundo, que, aliás, já vi que estará lindão - segundo a própria autora na página do livro no facebook! - e pretendo ler o mais breve possível :D

    Beijos para vocês, jovens e até a próxima resenha: Os Versos Satânicos, de Salman Rushdie. 

    Ana :3