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31 de agosto de 2014

Herdeiro da Névoa [Raquel Pagno]




    E, finalmente, a última resenha do Dia da Pagno! Aliás, esse certamente será uma das melhores resenhas porque eu simplesmente ADOREI esse livro, mesmo, desde a escrita até a história e, é engraçado, porque esse livro foi um dos poucos que me fez amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo - por questões diferentes.

    Não sei exatamente o que dizer, porque eu amei tudo, desde a escrita até a capa, passando pelos personagens instigantes e misteriosos e os detalhes sutis e indiscretos. Acho que esse é um dos maiores sucessos da Raquel, sem dúvida alguma, e que me faz esquecer do romance meloso de Legado de Sangue, me faz deixar de lado Seablue e me faz desejar ter esse livro na minha estante [outra direta, Raquel, risos qq].

    Certamente que vocês irão concordar comigo: a capa desse livro é muito bonita, mesmo. Adorei as cores, os tons utilizados e o "efeito de névoa" que combina perfeitamente com a escrita e com todo o clima da história.

"Inácio Vaz mal podia acreditar no sonho que se realizava. Acabara de chegar à Paris com algumas moedas no bolso e a grande vontade de se tornar advogado. Depois de ser surpreendido pela beleza de Chloé Champoudry, enquanto esperava pela entrevista que lhe garantiria a bolsa de estudos na Sorbonne, e encantado pela garota dos cabelos de fogo, trocara equivocadamente Direito por Artes, para poder estar em sua companhia. Desesperado por ter abdicado do sonho, Inácio descobre que seu nome não consta em nenhuma das listas de matrículas. Disposto a esclarecer o mal entendido, não percebe que seus documentos foram trocados. O rosto na foto é seu, mas o nome, de outro. Stephen, seu colega de quarto, tenta convencê-lo a assumir a nova identidade. Os documentos pertencem ao herdeiro da dinastia Roux, um milionário desaparecido sem deixar rastros. Preso em um leque de mentiras e suspense, Inácio trava uma luta com sua própria consciência, enquanto apaixonado, procura pela garota que lhe roubara o coração. "

Editora: Chiado Editora
Ano: 2013
Número de Páginas: 256
Página do Skoob:http://www.skoob.com.br/livro/309298-herdeiro_da_nevoa

    Acho que eu realmente deveria ressaltar que esse é um dos melhores livros da autora, justamente por conta da maravilhosa escrita dela, que nos faz entrar nesse clima de suspensa, de mistério e, literalmente, de névoa.

    Como sempre, também, eu gostaria de dizer que adorei a estrutura do texto, a tabulação e a fonte, enfim, adorei tudo. Nada cansativo, leve e muito 'limpo' para os olhos - os parágrafos não estavam acumulados um em cima do outro, as letras não são pequenas demais e muito claras. Realmente gostei muito. Gosto de ressaltar esse tipo de coisa.

    Mas, claro, acho que em primeiro lugar eu gostaria de dizer: aos amantes da França, e de décadas passadas, esse é um dos livros mais perfeitos. Afinal de contas, esse livro se passa na França e em algumas décadas atrás! Então, povo, vocês irão amar. Além disso, a gente tem muito mistério e coisas sobrenaturais encaixadas nessa história - sem vampiros - e acho que vocês também irão amar por conta desses outros fatores.


    Começamos com nosso protagonista, Inácio, um rapaz brasileiro e simples, que vai estudar direito em uma das melhores faculdades da França. Tudo parece bem, parece normal e zen (QQ), quando Inácio vai fazer sua matrícula no tal local e, inesperadamente, esbarra em uma mulher maravilhosa, ruiva e espetacularmente atraente, chamada Chloé Champoudry.

    Nesse momento, eu certamente pensei: ótimo. Eles terão uma paixão avassaladora, entediante, e que vai me encher a paciência. Mais uma história com um clima incrível perdida para o amor nojento açucarado.

    Eu não poderia estar mais maravilhosa, incrivel e fantasticamente enganada!

    Tudo parecia terrivelmente perdido quando, de repente, é revelado ao nosso querido protagonista que sua Chloé, a garota que ele viu, conversou e inclusive beijou, estava nada mais, nada menos que irremediavelmente MORTA!

    E é aí que Raquel prende nossa atenção para sempre, e nunca mais conseguimos sair do livro. Morta? Como assim morta? Que diabos está acontecendo? NÃO ENTENDO MAIS NADA. E começamos a ler desesperadamente, porque em cada página, cada parágrafo temos mais pistas, menos pistas, e novas revelações sobre tudo o que acontecia e girava em torno da família Champoudry e de François.

    É nesse meio tempo que nosso protagonista descobre que se parece, e muito!, com um rapaz chamado François e resolve assumir sua identidade. Aliás, Raquel nos revela outra "coincidência": Chloé e François eram namorados.

    A partir daí, eu prometo, a história só tem a melhorar e a crescer. Falo muito sério. Vocês viram nas outras resenhas da Raquel que eu realmente falo quando não gosto de algo, e realmente aponto questões erradas [como chegou a acontecer nesse livro], não somente de lógica da história, mas também historicamente erradas, ou, enfim, coisas do gênero. Mas eu realmente digo: a história é uma das melhores da Raquel, com a melhor escrita, o melhor enredo, o melhor tudo!

    Os personagens são misteriosos e quando eles parecem muito simples, são na verdade complexos e extremamente profundos, cheios de segredos e mistérios e revelando fatos que nunca teríamos imaginado. Na realidade, acho que minha cabeça deu 'n' voltas de 180º durante a leitura - cheguei a ficar praticamente tonta.

  
    Dando uma atenção especial à escrita de Raquel, eu repito que ela está realmente muito boa. Não há momentos - como em Legados de Sangue - que ela decai e então volta a escrever bem. Não! Ela permanece no mesmo nível de escrita durante todo o livro, o que me agrada bastante, e continua sempre com o clima de névoa...

    Aliás, acho que nunca vi um título mais apropriado para um livro: Herdeiro da Névoa. Quero dizer, realmente, durante todo o livro eu tive a sensação de estar vendo tudo através de uma névoa. Eu nunca conseguia entender exatamente o que estava se passando [não que as coisas tenham sido demonstradas de uma forma confusa, ou escritas de uma forma ruim], como se eu realmente não conseguisse enxergar a verdade! Eu me sentia justamente como Inácio. Exatamente como ele, e, se essa foi a intenção de Pagno, eu digo que ela acertou em cheio!

    Além do clima, da escrita e do enredo, eu também gostaria de ressaltar as descobertas e os mistérios que estavam ali embutidos desde o começo, mas que eu nunca consegui enxergar. Quero dizer, as respostas mais óbvias estavam o tempo inteiro em nossos rostos, mas não conseguiamos ver nada além da história, em si! Ficou realmente incrível! E nisso eu me refiro a François, a Inácio, a Chloé - a defunta - e todo o restante.

    E acho que nesse livro eu já posso ressaltar as diferenças para Legado de Sangue e Seablue. No primeiro, tivemos um clímax demorado e que, quando chegou, durou duas a três páginas, e em Seablue tivemos uma história boa, com um final relativamente surpreendente. Aqui, já vemos as diferenças: o clímax é no ponto exato na história - nem muito cedo, e nem tarde demais - e demora também o tempo certo. A história tem um final pra lá de surpreendente [e nem imaginável, aliás], e que também termina no ponto certo.

    Resumindo: ela acertou MUITO aqui.

    Aliás, eu gostaria de me desculpar com ela porque um dos elementos de sua história contém um pentagrama invertido. Durante a leitura, eu somente visualizei a imagem COMUM de um pentagrama que, no caso, seria a representação da Deusa, da feminilidade etc, etc, etc. Enquanto que o pentagrama invertido é usado na religião satânica, representando o Reino de Satanás. O caso é: eu achei que, como todas as outras pessoas do mundo, Raquel estava cometendo o terrível erro de confundir o pentagrama comum com o pentagrama invertido e, enfim, por conta disso sua história perdeu alguns muitos pontos comigo.

    Agora... Eu vejo que o fato de ser um pentagrama invertido passou despercebido por mim e, assim sendo, eu mesma errei em minha análise. Assim sendo, eu peço desculpas por isso.

    Mas teve outra coisa colocada na história que realmente estava errada, e que colocada na bruxaria não tem significado algum com Satanás, enfim, mas para explicar eu teria que dar muitos, muitos spoilers sobre essa história. Por isso, somente digo isso.


    Assim sendo, terminamos por aqui nossas três resenhas de hoje no Dia da Pagno! Em breve... Irei anunciar nossa surpresa, que terá a ver com essas resenhas! Por favor, fiquem atentos!

    Espero que tenham gostado,

    Ana.

Seablue [Raquel Pagno]



    E dando continuidade ao Dia da Pagno, aqui estou eu escrevendo a resenha de Seablue! Um dos romances de Raquel, que conta com uma capa especialmente bonita. Eu simplesmente adorei a capa desse livro, falo muito sério, e gostaria muito de tê-lo em minha estante [Raquel, isso não é uma indireta. É uma direta mesmo, QQ risos].

    Aliás, eu gostaria de comentar agora o segundo motivo para estar fazendo isso que, na verdade, é um dos motivos especiais: além de não ter resenhado NADA dela ainda, eu queria fazer uma coisinha especial para 1) agradecer por ter sido leitora-beta de um dos livros dela, e ter sido chamada para ser novamente beta-reader da autora [você é uma fofa] e 2) por ela não ter ido à Bienal.

    Raquel, eu sei como é. Sei mesmo. Queria muito ter ido na Bienal.

    E quando vi os posts dela no facebook ["poxa, queria ir na Bienal, mas fazer o que?"], eu pensei: nada melhor para alegrar um autor, do que fazer um Dia para ele no blog! E aqui estamos com a segunda resenha do Dia da Pagno!

    Mergulhem no mundo de Seablue!

"Eduardo levava uma vida simples e tranqüila, até o furacão Daniele passar por ela. Nunca imaginara sentir-se tão apaixonado e menos ainda que em tão pouco tempo estaria de casamento marcado com Daniele Cascais, filha do grande ator Rudson Cascais. Até mesmo a viagem de lua de mel já estava marcada. Passariam abordo do Seablue, o terceiro maior transatlântico do mundo. Tudo estaria perfeito se não fosse pelo mau pressentimento que assolava Eduardo dias antes do embarque. Estaria apenas ansioso pela proximidade da viagem e do casamento? Daniele afirmava que sim. Sabia que Eduardo nunca tinha feito uma viagem tão demorada e não se sentia bem por ter que deixar a escola de música nas mãos de terceiros. Mesmo assim ela decidiu convencê-lo a relaxar. Ela sempre o convencia. Em outro ponto de São Paulo, morava Joana, uma jovem que viera do interior para estudar arqueologia, com o sonho de viajar o mundo e desvendar os mistérios da humanidade. Na faculdade, fez amizade com Brigite, que apesar de meio aloprada, não era má pessoa e que acabou por levar Joana até Igor. Apesar dos protestos do pai de Joana, Igor pretendia pedi-la em casamento, surpreendendo-a com o pedido e as passagens para um a inesquecível viagem a sós. Um dos sonhos de Joana seria finalmente realizado, embarcariam em uma semana no Seablue. Seria perfeito! Como ela sempre sonhara! Mas eles não contavam com as traquinagens do destino, que inesperadamente colocaria as vidas de Joana e Eduardo em xeque e faria com que Daniele e Igor aprendessem a conviver e superar os obstáculos causados pela solidão e pela dor de perder um amor verdadeiro."

Editora: Chiado Editora
Ano de Lançamento: 2012
Número de Páginas: 270
Lido em PDF
Página no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/248778-seablue
      O livro começa nos introduzindo no mundo desses dois casais: Eduardo e Daniele, Joana e Igor. Dois casais aparentemente normais, mas que vivem em mundos bem diferentes [o da riqueza gerada pela fama, a música, toda aquela coisa de Eduardo com Dani, e o mundo mais 'calmo', comum, de Joana e Igor, com a garota que vem do interior pra viver na cidade grande, o cara dono de uma simples lanchonete, etc e tal].

    Acho que desde o primeiro momento, o leitor já se interessa justamente pela capa. Não é algo muito 'comum', mas eu gosto muito desse efeito de fumaça, dessa coisa toda misteriosa e tudo mais. Me lembra muito Alice, por conta da Lagarta - o Absolem - que soprava aquela fumaça na cara dela e tal. Ok, não tem absolutamente nada a ver uma coisa com a outra, mas eu amo esse efeito e achei a capa sensacional.



    Eu preciso dizer que entrei nessa história com um relativo medo do que poderia encontrar. Não que eu estivesse esperando uma escrita ruim ou um enredo péssimo, mas só estava com receio mesmo de encontrar as paixões avassaladoras que surgem do além ou qualquer coisa nesse estilo. Confesso que não me decepcionei tanto assim, na verdade, fiquei até bastante surpresa com um certo desenrolar da história e com algumas atitudes de personagens, mas isso fica para mais a frente nessa resenha.

    Aqui nós temos esses quatro casais. E todos eles pretendem fazer a viagem dos seus sonhos para o cruzeiro Seablue. Só que, claro, muitas coisas pretendem acontecer para atrapalhar a viagem desses jovens e, entre essas coisas... Um naufrágio.

    Eu preciso dizer que eu fiquei extremamente feliz quando vi que, além dos casais JÁ ESTAREM formados, também teria esse empecilho do naufrágio. Achei simplesmente maravilhoso ver que algo de ruim, de muito ruim, iria acontecer e que iria talvez matar todos eles, ou matar alguns deles, enfim. Seria TÃO sadicamente maravilhoso!

    E acho que a Raquel conseguiu, pós-naufrágio, suprimir todas as minhas expectativas. O drama, a coisa toda de desaparecer e quase morrer, e todas aquelas coisas ruins e dramáticas que acontecem em livros. Claro, como uma pessoa muito sádica e dramática, eu acho que poderia ter mais drama, mais mortes, mais sangue... [RISOS], mas eu tenho um pé na tragédia, então, me ignorem.

    Além do que, eu realmente gostei de já ver os casais formados. Ao menos no início fiquei muito realizada, pois com os casais já completos não teria aquela coisa de "paixão avassaladora que surge do além" entre eles, e isso seria simplesmente fantástico - claro que, de um jeito ou de outro, Raquel daria um jeito de enfiar o romance dela na história e, enfim, eu não gostei, mas é dela... Não é uma crítica, só uma pontuação em sua história.


    Aqui nós temos pontos de vista variados, com Edu, Dani, Igor, Joana, e alguns outros diferentes também, mas que sempre rondam esses quatro personagens. História em terceira pessoa, e uma narrativa bem construída e também com a tabulação bem feita - gosto das tabulações dos livros da Raquel, não são cansativas para se ler.

    E claro que eu tenho, preciso, DEVO pontuar o final dessa história. Certamente que não terá spoiler, isso é óbvio, mas eu só gostaria de dizer que eu simplesmente ADOREI ver que tudo saiu diferente de como eu já estava imaginando! Quero dizer, da metade para o final, eu tive uma clara ideia de como o livro terminaria, e então... BAM! Tudo diferente do que eu poderia ter imaginado [quer dizer, diferente se comparado com o que eu já estava pensando naquele momento].

    Achei muito digno e tinha que comentar isso. Sério. Raquel, você está de parabéns, minha querida parceira. Eu adorei!

    E também gostei muito do clima da história, em si. Em algumas partes eu lembrei bastante "O Náufrago", filme com o Tom Hanks [bastante famoso, na verdade], e achei bem legal essa correlação. Enfim.

    Acho que a única coisa que eu gostaria de pontuar, negativamente, é a questão da paixão que, pra mim, não foi nem um erro da autora ou algo "ruim". É só a minha opinião, risos, não gosto de romances avassaladores.



    Eu acho que esse livro merece uma chance, porque dá para ver que claramente Raquel mudou muito sua narrativa desde este, passando por Legado e chegando até Herdeiro da Névoa [próxima resenha]. E também por conta da capa, que imaginando em um livro físico... Ela bem lustrosa, com um livro pequeno e compacto (tipo os livros de Divergente)... Eu certamente que iria me interessar.

    Fiquem ligados, porque após as resenhas teremos o anúncio de uma surpresa relacionada aos livros da Raquel! Fiquem atentos!

    Até,

    Ana