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24 de maio de 2014

Convergente [Divergente] - Veronica Roth



    E chegamos ao fim de uma trilogia. Dá uma sensação tão estranha quando isso acontece, não? Sempre que chegamos ao fim, nos damos conta de que, bem, este é o último livro, com os últimos capitulos e as últimas falas de todos os personagens que aprendemos a amar, aguentar e odiar durante tanto tempo. E sempre dá aquela nostalgia de "começo de último livro", quando pensamos: "poxa, lembra quando, em Divergente, a Tris pulou primeiro?" ou então "nossa, o Tobias era muito estranho e misterioso em Divergente!" e coisas do gênero.

    Confesso que, apesar de ser uma sensação estranha, eu gosto muito dela porque é a sensação de 'dever cumprido'. Cheguei ao final de mais uma trilogia, estive o tempo inteiro com os personagens e agora eu estou pronta para deixá-los ir embora. É aquele momento que eu saboreio mais as palavras da autora justamente porque sei que serão as últimas e também... Porque preciso saber se o final foi decente, bem escrito, se fez sentido com a história e se foi um final condizente com todo o clima anterior à história (não adianta nada a história inteira ser incrível e o final... Uma bosta. Tipo todos os finais de novela da Globo. Se bem que, bom, elas nunca foram realmente incríveis ou boas).

    E acredito que Convergente tenha suprido todas as necessidades vorazes dos fãs da trilogia e tenha superado as minhas expectativas porque, nossa, o final foi... Surpreendentemente chocante e inesperado. De qualquer forma, vamos à resenha!

"A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou – destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. No poderoso desfecho da trilogia Divergente, de Veronica Roth, a jovem será posta diante de novos desafios e mais uma vez obrigada a fazer escolhas que exigem coragem, fidelidade, sacrifício e amor. Livro mais vendido pela Amazon no segmento infantojuvenil em 2013, Convergente chega ao Brasil em meio à expectativa pela estreia de Divergente nos cinemas, em abril. A série segue no topo na lista de bestsellers do The New York Times."

Autor: Veronica Roth.
Editora: Rocco.
Trilogia: Divergente.
Ano dessa edição: 2014.
Ano do lançamento: 2014
Número de Páginas: 526 (termina em 519).
Minha nota no Skoob: 5/5

    Muito bem, queridos leitores. Vocês já vieram com toda a bagagem de Insurgente e Divergente, conhecendo muito bem nossa protagonista extremamente altruísta e corajosa, e toda a situação misteriosa que a cerca. Assim sendo, acho que precisamos de somente uma pequena retrospectiva "Insurgente" para nos encaminharmos de verdade para esta resenha de Convergente.

    O último livro se voltou todo para a questão psicológica de Tris, sobre ela ter matado seu grande amigo Will (que estava na simulação criada pela Erudição), ter ficado numa 'bad' pela morte dos pais e também temos a questão de Caleb, seu irmão fugido da Erudição que parece bem maluco de vez em quando. A capa dá uma bela dica sobre qual facção será explorada em Insurgente, e claramente nós aprendemos e conhecemos muito mais sobre a Amizade, sobre seu "soro da paz", pão e muitas outras coisas.

    Claro que em Insurgente não poderia ter faltado aquela dose de "altruísmo" sem noção da Tris, e nele nós acompanhamos a menina Divergente se entregar para Jeanine para que as simulações do povo normal pudessem acabar, finalmente, e assim a garota cavou sua própria cova: Jeanine queria matá-la, após estudar seu cérebro. E como um ratinho tolo, Tris ficou aprisionada e foi levada à sua própria execução por seu irmão, Caleb.

    Por sorte, Tobias tinha um belo plano e "infiltrado" na Erudição, com 'amigos' lá dentro, teve a ajuda de Peter para fingir a morte de Tris, trocando o soro da morte por outro soro de paralisia tingido de roxo, e salvá-la do perigo. Após isso, temos a tomada do poder por Evelyn, mãe de Tobias e líder dos sem-facção, e a infiltração paralela de Tris e seu grupinho que precisam descobrir qual era a informação que a Abnegação protegia e queria, finalmente, falar para cidade quando seus líderes foram assassinados.

    Afinal de contas, o grupo de Tris obtém sucesso - não sem algum morto, claro - e quando Tris finalmente invade a sala de Jeanine (após passar por Edward), ela precisa salvar a líder da Erudição de Tori que, infelizmente, consegue matar a erudita. Ainda por cima, Tris e o grupinho são levados "presos" como traidores. No final do livro, Tobias consegue expor a informação que Jeanine e a Abnegação estavam 'protegendo' para toda a cidade, e todos eles descobrem que do lado de fora da cerca há alguma coisa e que uma mulher se transferiu para dentro de 'chicago', admitindo o nome de Edith Prior.

    O que há do lado de fora da cerca?


    E finalmente começamos a leitura de Convergente, muito curiosos para saber exatamente o que existe do lado de fora da cerca, um mistério que foi especialmente colocado por Veronica Roth no começo de Divergente - caso não se lembrem, Tris realmente mencionou que 1) achava estranho que a tranca da grade estivesse do lado de fora, como se eles estivessem presos e 2) a Tris também mencionou que ninguém sabia o que havia do lado de fora da cerca, e que era proibida a saída do povo de Chicago - e que ficou "por alto" até Convergente.

    Devo admitir que essa tática foi realmente muito boa, e fez o leitor realmente prender sua atenção ao livro. Quero dizer, aposto que muitos leitores estavam preocupados com a iniciação da Tris, e também com o Tobias, e com toda aquela questão da guerra misteriosa entre facções, para proteger um suposto segredo... Mas alguns leitores, como eu, estavam pensando no que havia do lado de fora da cerca. Algo muito suspeito, algo que era amedrontador e algo que, aparentemente, ameaçava e muito a Erudição! Pois se Jeanine foi capaz de matar os líderes da Abnegação para manter esse segredo...

    De uma forma ou de outra, esse é um dos mistérios que me intrigaram em Convergente. Além, é claro, do novo método de narrativa de Veronica: dupla narração. Agora temos Tobias e Tris narrando a história, e isso me fez refletir brevemente sobre o porquê disso. Por que Veronica colocou outro narrador em Convergente, se o tempo inteiro ela manteve somente Tris? Qual o motivo para Tobias ter entrado agora?

    Logo no início, imaginei que essa dupla-narrativa poderia se dar para 1) ganhar dinheiro, pois muitos leitores estão acostumados de vários narradores diferentes (graças a Rick Riordan, que começou com essa história em O Herói Perdido, primeiro livro de sua saga 'Heróis do Olimpo', e que fez muito sucesso, além de sua outra trilogia, As Crônicas dos Kane, que possui todos os livros com dupla narração - Carter e Sadie Kane), ou então 2) mostrar dois pontos de vista, e assim sendo, ela teria um objetivo. Levando em conta essa segunda opção, acredito que ou Tris e Tobias se separariam - o que poderia não ser uma novidade tão grande, já que em Insurgente as coisas estavam meio... tensas entre eles - ou então eles seriam 'forçados' a se separarem (o que poderia ser causado pela Evelyn, ou a Tris fugiria para o lado de fora da cerca e Tobias precisaria ficar dentro para armar um levante contra a mãe... Não sei).

    A única coisa que era 'certa' para mim logo no início de Convergente era: neste livro conheceremos mais sobre a Erudição, ou sobre algo relacionado a ela. Afinal de contas, o símbolo na capa de Convergente é água, uma onda, que é o simbolo da Erudição.


    Esse livro carrega a mesma dose de sinceridade, honestidade e lógica que os anteriores, e também a mesma dose de 'originalidade' que observamos em Divergente e em Insurgente. A escrita de Veronica Roth - ao menos a tradução, é claro - é muito absurdamente franca e clara, quase como um membro da Franqueza (que conta a verdade, mesmo que ela nos machuque) e, como sempre, ela não tem pena de matar, acabar e desmanchar nossas ideias sobre todos os pontos anteriores dos livros.

    Quero dizer, acho que é bom eu deixar bem claro que nesse livro a Veronica conseguiu desmanchar todo o nosso entendimento sobre as facções, sobre o que é essa Chicago futurista, sobre a própria história da Tris (especificamente da mãe dela, Natalie Prior, que honrou a frase "sangue antes da facção") e sobre a trilogia, em si. Foi fascinante - e meio doido - acompanhar Veronica desmanchando, destruindo tudo aos poucos e, então, jogando em nossas caras o que REALMENTE são as facções, o que realmente são os Divergentes...

    Se você ainda está se preparando para ler Convergente, eu sugiro que comece de uma vez. Tudo o que você "sabia" sobre a trilogia... Desmorona no último livro. Tudo mesmo. Agora não é mais guerra contra Erudição ou sem-facção... Agora a guerra é entre "GD's e GPs". 

    E não, não vou contar o que são essas coisas (risada do mal).

   Na verdade, vou somente comentar que isso foi simplesmente genial. Um toque de mestre. Um toque gélido de uma psicopata. Que é mais ou menos o que a Veronica é: quase uma psicopata! Ela é genial, inteligente e muito, muito estratégica. Isso deu para perceber desde o começo de Divergente, quando ela nos apresentou as facções e todo o sistema aparentemente simples da sociedade de 'Chicago', e quando terminamos de ler Convergente (ou simplesmente chegamos nas grandes explicações), nós percebemos que a trilogia foi meticulosamente planejada, cuidadosamente criada e repensada até ficar perfeita. Até ser madura, adulta e lógica o suficiente para fazer todos os leitores se apaixonarem de cara.


    E eu sei que isso não deveria existir e tudo mais, mas é meio difícil ignorar muitos fãs de Jogos Vorazes e alguns de Divergente que "brigam" entre si sobre "qual das duas é melhor". Na realidade, acredito que as duas trilogias sejam muito boas em 'n' aspectos. E apesar de odiar comparar trilogias (e isso ser meio impossível, na realidade), eu fiz uma pequena comparação mental entre Divergente e Jogos Vorazes.

    Acredito que do ponto de vista 'político', Jogos Vorazes é relativamente melhor que Divergente. A abordagem política da trilogia de Suzanne Collins é impressionantemente maravilhosa, crítica e trágica. Trás muitas verdades políticas à tona, e faz uma incrível comparação com muitas guerras que ocorreram em alguns tempos atrás (mais especificamente a Guerra do Iraque X EUA), e nos faz pensar sobre como seria uma guerra de verdade. Essa coisa psicológica terrível, os abalos mentais que a guerra nos trás... É maravilhoso como ela mostra os abalos que as perdas nos trazem, o peso de ser a líder de uma rebelião - nossa tordo Katniss Everdeen.

    Entretanto, Divergente é melhor do que Jogos Vorazes por tratar muito mais de um aspecto psicológico real. Acredito que a trilogia da Veronica tenha ido muito mais pela vertente da biologia do que sociologia ou política, já que temos toda aquela coisa de GDs e GPs (ainda não vou falar o que são. Vocês teriam que ler Convergente. Sinto muito. Ou não, q), e a própria Divergência em si. Já que, em Insurgente, a Jeanine explica para Tris o que é ser divergente, falando especificamente sobre o cérebro humano, sobre os comportamentos, sobre a fala, sobre a inteligência, etc, etc. E isso é muito mais biológico do que político. Claro que, depois, em Convergente, também temos a questão política da guerra que pode se formar entre tais grupos, etc, etc, mas ainda assim, é muito mais biológico.

    Agora... Acredito que eu tenha "simpatizado" mais com Divergente pelo simples fato de que a história da trilogia pode estar acontecendo agora de verdade. Quero dizer, manipulação genética, meus queridos leitores e amantes da biologia, é algo que acontece, é algo que certamente estará em nossos futuros, e é algo que, oras bolas, pode estar realmente acontecendo na Rússia ou Estados Unidos, ou Japão. Quem poderia saber? Claro que seriam coisas sigilosas, É ÓBVIO, e nunca seriam divulgadas na mídia ou sequer para o povo, mas eu realmente não duvido que a humanidade chegue ao ponto de fazer exatamente o que aconteceu em Divergente (o que já faça). Parafraseando a morte, em A Menina que Roubava Livros, "os seres humanos me assombram".

    Enquanto que a situação de Jogos Vorazes... Acho que é bem mais irreal, ou mais fantasiosa do que Divergente (que trata, mais ou menos, sobre uma guerra baseada em ideias biológicas relativamente exageradas e erradas) e... Arena com 24 adolescentes lutando até a morte num futuro próximo? Acho meio difícil. Por isso prefiro Divergente, somente pelo fato de que a gente tem como colocar a situação que descobrimos em Convergente na nossa realidade. A gente realmente tem. Mas, claro, uma trilogia não se compara a outra, e eu acho as duas realmente muito boas! Maduras e inteligentes, de verdade.

    

    Para terminar, eu gostaria de dizer que nunca me arrependi tanto de ter ignorado uma trilogia por tanto tempo só por ter acreditado nas pessoas que me disseram que era "cópia" de Jogos Vorazes, um genérico mal-feito. Não. Isso é uma mentira deslavada. E isso pode ser aplicado em qualquer saga existente: nunca deixe de ler algo porque alguém lhe disse que é ruim, que é uma cópia... E se você ler e amar? Você só vai saber se a saga é boa, mesmo, se você ler, oras bolas.

    E ainda falando sobre outra coisa. Eu achei essa trilogia muito verdadeira e muito lógica. Claro que eu queria, por exemplo, que a Lynn e Marlene tivessem ficado juntas (caso vocês não lembrem, Marlene se joga de um prédio em Insurgente, por conta da simulação, e Lynn é baleada durante sua simulação e morre revelando ter amado de verdade a Marlene ~ le lágrimas caem ~), mas a vida não é assim. Acho que se Tris tivesse escolhido salvar a Marlene, por exemplo, não teria sido verdadeiro. Se a Lynn tivesse sobrevivido ao tiro certeiro... Também teria sido falso. Se Tris não tivesse ido à sede da Erudição se entregar... Teria sido a coisa mais falsa da história, e eu com certeza teria parado de ler Divergente. E por isso eu amei essa trilogia, porque ela é sincera, verdadeira e lógica.

    Além, é claro, dos livrinhos serem extremamente lindos! Gente, que coisinhas bonitinhas, compactas e robustas, com capas de cores vibrantes, e símbolos incríveis! Os personagens são demais, e apesar de ter ficado levemente... 'intrigada' com o fato de eu ter uma personalidade EXTREMAMENTE parecida com a do Tobias, eu não poderia ter amado mais essa trilogia.

    Obrigada, Veronica, por nos apresentar as facções, Chicago futurista e ter terminado o livro com essa sensação de continuidade, que nos dá a impressão que Tobias está em algum lugar por aí e a guerra entre GDs e GPs está prestes a estourar.

    Espero que tenham gostado da resenha e, especialmente, da trilogia. Mesmo.

    Até breve,

    Ana.

17 de maio de 2014

Insurgente [Divergente] - Veronica Roth



    E dessa vez vamos falar sobre a continuação da trilogia mais famosa do momento, aquela que prende atenção de muitos leitores por se tratar de uma guerra entre facções que querem, aparentemente, o controle da cidade. Vamos falar sobre Insurgente.

    Caso não se lembrem, aqui vai uma pequena retrospectiva de Divergente: 

    Temos Beatrice Prior, de 16 anos, que acaba recebendo de seu "teste de aptidão" o resultado de Divergência entre três das cinco facções existentes em sua sociedade distópica (divergente entre Audácia, Abnegação e Erudição, restando apenas Amizade e Franqueza) e numa luta interna contra sua criação e sua própria família - da Abnegação - Beatrice escolhe a facção da Audácia, cujos membros se vestem de negro, portam armas, pulam em/de trens em movimento e são responsáveis pela defesa da sociedade (a Audácia preza a coragem, acima de tudo). Durante a iniciação da Audácia (que se prova relativamente complexa e difícil), Beatrice muda seu nome para Tris, faz três tatuagens, fica reconhecida por ter sido a primeira "inicianda" transferida a saltar do telhado de um prédio para a entrada da Audácia, e conhece Quatro, um membro de aparência relativamente familiar e que é chamado assim por ter somente quatro medos. A partir daí, Tris precisa aprender a esconder sua Divergência porque isso lhe custaria a vida: Divergentes são mortos por pensarem diferente, por não serem manipulados e por não reagirem às simulações criadas por soros da Erudição. Nesse meio tempo, descobre-se que a Erudição (facção que preza o conhecimento, acima de tudo, e cujos membros vestem-se de azul) planeja um ataque. No meio da noite, muitos membros da Audácia acordam como zumbis, controlados por um soro maligno de simulação criado por Jeanine Matthews - a líder da Erudição - mas que não causa efeito nos Divergentes - Tris, Quatro e alguns outros - e eles são colocados a prova para tentar salvar os outros membros que marcham em direção à Abnegação para liquidar todos os líderes. Ao tentar se salvar e salvar Quatro, Tris acaba se revelando Divergente e é levada à Jeanine Matthews por Eric, um dos antigos líderes da Audácia. Na sala, Quatro recebe um soro de simulação específico para Divergentes e se torna fora do controle, enquanto que Tris é aprisionada num tanque de água, mas é libertada pela mãe que revela ter sido uma antiga integrante da Audácia. Durante a fuga, a mãe de Tris morre e Tris acaba matando seu amigo manipulado Will (o que a atormenta por todo Insurgente), antes de conseguir fugir para o esconderijo onde estão membros refugiados da Abnegação - e Caleb, o irmão, da Erudição. Lá, eles montam um plano: invadir a sede da Audácia para recuperar os dados e cancelar a simulação: só assim para parar os membros da Audácia. Chegando lá e após muitas dificuldades, Tris encontra Quatro/Tobias na sala de controle da Audácia e os dois lutam. Em dado momento, Tobias se liberta da simulação de Divergente e cancela a simulação da Erudição.

    No final das contas, a Audácia e Abnegação não existem mais. A Erudição quer o controle sobre a cidade, e os membros de negro e cinza querem vingança. 

    Vamos voltar, então, para esse mundo de facções e audaciosos.

"Na Chicago futurista criada por Veronica Roth em Divergente, as facções estão desmoronando. E Beatrice Prior tem que arcar com as consequências de suas escolhas. Em Insurgente, a jovem Tris tenta salvar aqueles que ama - e a própria vida – enquanto lida com questões como mágoa e perdão, identidade e lealdade, política e amor. "


Autor: Veronica Roth.
Editora: Rocco.
Trilogia: Divergente.
Ano dessa edição: 2013.
Ano do lançamento: 2012 (EUA); 2013 (Brasil)
Número de Páginas: 512.
Minha nota no Skoob: 4/5


    Claro que a sinopse nunca é tão completa quanto um belo resumo do livro que estamos lendo ou que pretendemos ler. Como é, claro, o caso de Insurgente. Na verdade, a questão com Tris é muito mais "grave" do que simplesmente questões como "salvar a própria vida". Quem leu Insurgente sabe exatamente do que eu estou falando, mas infelizmente não posso explicar muito bem para quem não leu, caso contrário, estarei dando spoiler sobre o livro.

    De uma forma ou de outra, depois daquela nossa retrospectiva Divergente, temos a seguinte situação: Tris se encontra na corda bamba. A Audácia acabou, assim como a Abnegação - cujos líderes foram mortos impiedosamente! - e tudo o que eles mais querem no momento é uma vingança contra a Erudição, contra o fato de que ela manipulou a mente de tantas pessoas para que Jeanine pudesse conseguir seus "caprichos". Mas será que ela estaria realmente errada? Será que a Erudição é realmente tão ruim a esse ponto?

(Esses livrinhos compactos são lindos, só que preciso admitir que achei Divergente e Convergente mais bonitos que Insurgente. Na verdade, meu ranking ficaria tipo: Convergente > Divergente >> Insurgente)

    Acredito que esse livro tenha sido relativamente melhor do que Divergente. Não no quesito "descobrindo outras facções e o modo de viver da cidade da Tris", mas no quesito psicológico, dramático, que mexe com o que é a personalidade, o que nós somos e o que nós poderíamos ser. É um livro que, especialmente para o final, mostra muito a parte de análise mental, psicológica do outro - por parte da Tris que, evidentemente, não poderia deixar de lado esse lado "Erudição" dela.

    Eu gostei bastante de Insurgente por diversos motivos. Não só pelas análises psicológicas dos outros personagens, e da própria Tris aliás, mas também porque deu pra conhecer bastante sobre as outras facções. Quero dizer, nós possuíamos um bom vislumbre sobre a Audácia e Abnegação em Divergente, e em Insurgente nós conhecemos muito melhor as outras três facções: a Amizade, a Franqueza e a Erudição e, confesso, se pararmos para analisar cuidadosamente cada facção é cada de nossa "decisão" ser alterada. Eu, por exemplo, poderia muito bem ir para a Erudição ou Audácia, mas confesso que depois do que li em Insurgente - e na parte final de Divergente - minha ideia sobre a Erudição mudou muito. Se eu estivesse na pele da Tris e soubesse como as facções são de fato, eu ainda teria escolhido a Audácia. Mas, do mesmo lado de pensamento, eu não teria ido para essa facção.

    A questão é que, como Insurgente nos mostra, todas as facções não são exatamente o que aparentam. Os membros da Amizade não são daquele jeito porque eles realmente querem ser ou porque eles sempre foram, mas na verdade há uma manipulação por trás disso tudo. Nós vemos que as facções são exageradas, são erradas, elas prezam muito algo e a partir disso elas fazem qualquer loucura para serem do jeito que gostariam. A Audácia, por exemplo, preza tanto a coragem, mas no fundo a maioria é covarde, a maioria só está ali para provar que suporta a morte, que consegue participar de coisas radicais ou que atiram bem com uma arma, ou porque procuram vingança. A maioria ali não é corajosa de verdade, nunca foi, eles se esforçam pra aparentar ser.

    Aliás, além das facções, nós também conhecemos muito os sem-facção. O povo que acabou desistindo, ou que não indicou aptidão para nenhuma facção, ou que simplesmente foi reprovado nas iniciações de suas facções escolhidas (o que é muito comum na Audácia, por exemplo). Esse povo que vaga pelas ruas e é alimentado pela Abnegação, que é cuidado pelos membros de roupas cinzas e cabelos modestos, e que, aparentemente, não representa perigo algum.

    Será que é verdade?

(Essa é uma das melhores partes. Quero dizer, talvez seja rçrç)

    Insurgente também vem para mostrar que nem sempre a cidade de Tris foi desse modo e que há algumas coisas escondidas, muitas perguntas no ar. O que Jeanine queria dos líderes da Abnegação? E por que Marcus afirma que conta a verdade sobre o fato de que os líderes Caretas morreriam pela informação que guardavam? O que será que Jeanine, especialmente, quer fazer com essa informação?

    E os Divergentes? Ela queria encontrar um soro de simulação capaz de controlar também a mente Divergente - e quase teve sucesso com Tobias - para poder criar outro exército humano. Mas se ela já tem a Audácia e já acabou com a Abnegação, contra quem Jeanine quer lutar? Contra os sem-facção? Mas que perigo eles representariam?

    São tantas perguntas a serem respondidas, que só lendo o livro mesmo para saber.

    Mas, de fato, como dá para notar na capa de Insurgente o foco aqui é a Amizade. Vamos conhecer mais da Amizade, vamos saber sobre a líder - uma transferida da Franqueza - e sobre o sistema deles de água, que tanto interessou Caleb. Vamos descobrir o que está acontecendo com essa facção aparentemente tão neutra e bondosa, que seria capaz de se colocar entre os inocentes e as balas apenas para promover a paz.

    É, evidentemente, uma facção "à esquerda".

    Desde que li Divergente, quando passei pela descrição da Amizade (preza, óbvio, a Amizade e culpou o individualismo), com seu símbolo-árvore, e membros com roupas vermelhas e amarelas, e aquele menino irmão da Susan, da Abnegação, transferido para a Amizade... Eu confesso que pensei: "Ok. Essa é a facção aleatória. Aquela criada para preencher espaço", quase como a Franqueza, mas a Franqueza realmente me assusta (ser honesto o tempo inteiro? Acho que eu surtaria na iniciação da Franqueza com o soro da verdade). Na verdade, o tempo inteiro a Amizade parecer ser uma facção meio sem graça, meio idiota, cheia de gente maluca e sem líder (porque, aparentemente, a líder não se diz líder porque ali é um troço democrático), e em Insurgente é justamente isso que aprendemos que é mentira.

    A Amizade é uma facção importante, na verdade. É uma facção que mantém os portões fechados. Que não permite a entrada de nada, e nem a saída. Mas permite o quê? E protege a cidade do quê com esses portões?

(eu adoro essas frases de "slogan" de Divergente!!)

    Conhecemos um pouco mais da Franqueza também, sobre o prédio preto e branco, sobre o sistema extremamente honesto deles - que me irritou - e sobre seu soro da verdade. Mas, bem, desde o início o foco não foi a Franqueza, mas sim a grande batalha da Audácia contra a Erudição e sua líder psicopata: Jeanine Matthews.

    Imagino que em Convergente tenhamos o foco na Erudição, já que o simbolo desenhado representa uma onda, representa a água da Erudição (lembram? Audácia: Fogo; Abnegação: Pedras; Franqueza: Vidro; Amizade: Terra; Erudição: Água), e como nos dois últimos livros, a capa teve total relação com a facção mais abordada (em Divergente temos o fogo da Audácia, e neste temos a árvore da Amizade).

    Assim sendo, imagino que importantes segredos serão explorados e mais coisas elucidadas. Eu espero ansiosamente que Convergente mantenha o nível da história, e que também mexa com o lado psicológico do protagonista e dos personagens, porque isso é algo extremamente fascinante (pelo menos pra mim, que queria fazer Psicologia).

    Então, espero que o mundo de Tris ainda seja muito fascinante e ainda me agrade bastante.7

    Até a próxima resenha, e fiquem preparados para o clima de terror puro, porque talvez ela seja de Drácula, o Vampiro dos Vampiros, o Vampiro com V maiúsculo, o terror da noite!

    Ana.

3 de maio de 2014

Divergente [Veronica Roth]



    Há pouco tempo eu sequer queria tocar nos livros de Divergente por motivos meio, bem, idiotas. Na verdade, eu acreditava piamente que Divergente era uma trilogia "genérica" de Jogos Vorazes, como muitos leitores me disseram, e que seria praticamente uma cópia-cola disfarçada com uma politicagem relativamente fraca (porque, se comparado com a politicagem e temas sociais de Jogos Vorazes, seria difícil fazer algo bom ou parecido). Por isso, eu pensava que não valia à pena ler porque, bem, eu tinha mais o que fazer.

    Porém, duas coisas me fizeram entrar nesse mundo de facções e divergentes. Uma delas foi um spoiler gravíssimo que eu peguei de Convergente (HUAHUAHUA) sobre o final do final, e isso me deu uma vontade tremenda de começar a ler (eu sou meio doida, me julguem). Porque quando eu soube do final do final, eu fiquei: "gente, não é que essa trilogia ""genérica"" me surpreendeu? Quando eu iria imaginar que...?", enfim. O segundo motivo é que eu me chamo Beatriz (e Beatrice é mais ou menos uma derivação do meu nome - ou ao contrário, eu nunca lembro), e uma amiga minha disse que começaria a me chamar de Tris porque era um apelido diferente (ninguém nunca me chamou de Tris, apesar de Divergente estar a todo vapor e a protagonista ter um nome muito parecido com o meu). E eu me senti minima e ridiculamente mais próxima à trilogia (HAUHAUHAUHUAHUA eu disse que era doida. Isso é coisa de aquariano).

    Assim sendo, tomei vergonha nessa minha cara - como eu postei no instagram - e peguei meu livro de Divergente para começar a ler... E adorei, eu realmente gos... Acho melhor eu colocar a sinopse e informações antes de me empolgar.

    Cortem suas mãos e deixem o sangue escorrer em suas facções, porque vamos mergulhar no mundo fantasticamente incrível de Divergente.

"Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto.
A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é.
E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive."

Autor: Veronica Roth.
Editora: Rocco.
Trilogia: Divergente.
Ano dessa edição: 2012.
Ano do lançamento: 2011 (EUA); 2012 (Brasil)
Número de Páginas: 501 (livro termina em 500)
Minha nota no Skoob: 4/5


    Como fica claro na sinopse, nós temos aqui uma distopia. Após alguns eventos (que não são mencionados neste livro), nós temos essa Chicago futurista que é dividida nas cinco facções aparentemente ideais. Cada uma culpou um fator da sociedade pelo que aconteceu com o país, cada uma mira alguma coisa e exige algo de seus participantes. Como é o caso da facção original de Beatrice, minha quase xará Tris, que culpou o egoísmo de cada um, a "cegueira" e falta de auxílio ao próximo e que visa em seus integrantes o altruísmo, esquecer a si mesmo para se entregar totalmente às necessidades dos outros. Isso prega a Abnegação, cujos membros são apelidados "carinhosamente" de Caretas e que usam somente roupas cinzas.

    Claro que cada facção culpou algo diferente (a Erudição culpou a ignorância, a Audácia culpou a covardia, a Amizade culpou o individualismo e a Franqueza culpou a mentira e a falta de honestidade dos povos), e prega coisas diferentes (respectivamente, a busca pelo conhecimento; a coragem; a amizade e felicidade e a honestidade), por isso temos facções diferentes, com hábitos diferentes, testes diferentes e, obviamente, membros de comportamentos e mentalidades muito diferentes.


(Cara, esse livrinho é tão fofamente compacto! Eu sou apaixonada por ele justamente por ser tão robusto e compacto)

    Isso fica claro logo no começo do livro, com a narração meio parada de Tris. Confesso que no começo eu não conseguia me interessar muito pelo livro, pois a Tris era algo meio... Cinzento - justamente como todos de sua facção - e que meu interesse se voltou totalmente para os membros da Audácia, conhecida pelas outras facções como "doida, sem limites, rebelde até a última raiz do cabelo". Quando a menina narra os modos de cada facção (como as roupas, por exemplo), eu achei tudo aquilo simplesmente interessantíssimo! Era muito divertido ver como todos os membros da Franqueza usavam blusas brancas e calças negras, ou como todos da Audácia pulavam do trem em movimento (meio arriscado mesmo, mas deve ser divertido) ou como membros da Erudição são traças de livros.

    Aliás, é no meio disso tudo que eu penso na política. Nesse começo de narrativa não é muito notável, mas com o passar da história fica relativamente clara o exagero de cada facção. O exagero que Tris nos mostra indireta e sutilmente a cada página e capitulo, aquele exagero que faz os membros da Abnegação, por exemplo, serem todos sem personalidade, que faz os membros da Audácia serem tão orgulhosos a ponto de arriscarem a própria vida inconsequentemente só para provarem a tal "coragem". São pequenos exageros embutidos na história que são questionados pela garota (como a tal coragem), porque eles não são tão óbvios, não são visíveis. A coragem é diferente para cada pessoa, e se manifesta de modos diferentes também.

    Acredito que isso me fez enxergar que Divergente não era apenas uma trilogia para "passar o tempo", como muitas séries são, na verdade. A trilogia conta com uma história por trás, algo mais sério, algo que nos mostra claramente, através de uma situação futurista e distópica, como o ser humano é exagerado em seus próprios sentimentos e como é importante o questionamento sobre si mesmo. Como não se deve acreditar em tudo o que o Estado fala, e em tudo o que, especialmente, vemos desde pequenos. Afinal, as maiores mentiras estão embutidas nos pequenos detalhes cotidianos.

(Também gostei da fonte e dos "Capitulos" e a diagramação)

    Mas claro que o foco da trilogia não é somente esse. Temos aqui uma garota adolescente, com seus hormônios a flor da pele e... Sério que uma trilogia infanto-juvenil em 300 (350?) páginas fala sobre sexo, deixa isso claro como água e explícito como sempre foi? Confesso que isso também me pegou de surpresa porque eu estava acostumada a trilogias sérias, mas ainda assim infanto-juvenis de verdade. Dessas que um beijo mais ardente é muito para a editora e o resto precisa ser cortado (como aconteceu com A Casa de Hades, aliás, de Rick Riordan: havia uma cena de sexo, mas a Disney - editora americana que publica Riordan - proibiu a publicação dessa cena no livro). E foi uma surpresa pra mim ver a mocinha no colo do outro, o medo do sexo, essas coisas que são tão comuns mas tão raras em livros adolescentes.

    Acho que, finalmente, as editoras enxergaram que quem lê esse tipo de "livro infanto-juvenil" não é mais tão infanto-juvenil assim. O que é um alívio, porque esse tipo de coisa um ar maduro para uma série de distopia, uma suposta fantasia, com facções e Divergência mental.

    Claro que essa não foi a única coisa que me surpreendeu. Também devo comentar sobre a evolução da própria Tris que, na metade do livro, já está irreconhecível! Até mesmo sua narração muda, conforme ela muda de "personalidade" e jeito. Isso é um ponto positivo, porque faz o leitor literalmente acompanhar a protagonista, ele realmente está perto dela e sente suas mudanças. Eu gosto desse tipo de coisa (que pode ser observado, por exemplo, nas narrações de Percy Jackson, protagonista de uma série do Rick Riordan e principal de outra série seguinte. A mudança da narração do menino é evidente: de infantil para algo próximo ao maduro).

(Deuses, gente, esse livro é muito lindo! A capa é linda demais, e eu adorei o "slogan": "Uma escolha pode te transformar". Adorei!)

    É engraçado como é inevitável pensar de qual facção você seria. Afinal de contas, aos 16 anos obrigatoriamente a pessoa tem que passar por todos aqueles testes e tudo mais, e precisa escolher se continua na facção de sua família ou se... Parte e nunca mais os vê novamente. Escolha difícil, dependendo do seu sentimentalismo ou amor familiar. De uma forma ou de outra, o leitor fica pensando: "poxa, eu acredito que iria para Erudição porque isso, isso e isso" ou então: "acho que eu seria divergente entre Amizade e Abnegação, porque isso, aquilo e aquilo outro".

    Eu mesma passei por isso, e fico imaginando se eu iria para Audácia ou Erudição. É algo muito engraçado de se observar, e de se imaginar também!

    Eu fico especialmente ansiosa para começar a ler Insurgente por conta dos acontecimentos finais de Divergente. Confesso que pequenos detalhes me inquietaram um pouco (porque acabaram meio forçados), mas outros fizeram todo sentido e resultaram em coisas fantásticas. Aliás, preciso comentar que simplesmente adorei a frieza de Veronica para com seus personagens (bem parecida com George R. R. Martin, aliás), porque ela faz o que é necessário para o livro, e não o que o coração dos leitores - ou o seu - pede. Isso é legal. Isso é ser ousado, arriscado e lógico. Gosto disso.

    Bem, o livro é fantástico, de verdade. Eu adorei sua formatação, seu jeitinho compacto e robusto (acho esses livrinhos de Divergente tão lindos justamente por serem tão compactos), adorei o símbolo na capa e o desenho da capa, em si (simplesmente lindo e chamativo!). Espero ler Insurgente em breve, e volto logo mais com nova resenha para vocês.

    Até breve,

    Ana


29 de novembro de 2013

As Vantagens de Ser Invisível [Stephen Chbosky]


Estou de volta e trago uma resenha fantástica pra os leitores e seguidores do blog: As Vantagens de Ser Invisível, do autor Stephen Chbosky (aliás, a Camila já havia feito uma resenha desse livro aqui antes, mas eu acho ele digno de uma segunda resenha HUAHUA)

O livro foi lançado, pela primeira vez, no dia 01 de Fevereiro de 1999 e ganhou uma repercussão enorme, por conta da história e - em minha opinião - da 'mensagem' que passava aos leitores (que para mim foi: participe, seja infinito também). De qualquer forma, não sei se fez tanto sucesso que hoje em dia, por conta do filme lançado - com o mesmo nome - que tinha no elenco Logan Lerman (hoje em dia mais conhecido como Percy Jackson) que interpretou o protagonista Charlie, Emma Watson (nossa eterna Hermione) que ficou no papel de Sam ( <3 ) e Ezra Miller (o psicopata Kevin, que deu o que falar no livro com seu nome: Precisamos Falar Sobre o Kevin), que fez Patrick, vulgo, "Nada".

Depois do lançamento do longa, o livro voltou a bombar nas livrarias e ganhou até mesmo uma daquelas capas novas que merchandising do filme (que é a minha edição haha).

"Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, As vantagens de ser invisível reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele conta nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela.

As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir “infinito” ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário.

Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo."


Editora: ROCCO
Ano: 2012


O livro é contado todo em primeira pessoa e o nosso protagonista da vez é Charlie, um adolescente de 15 anos que está começando o Ensino Médio e logo de cara demonstra ter terríveis problemas de timidez. Acompanhamos Charlie nos descrever, de modo quase infantil, sua pequena família (pai, mãe, irmão e irmã) e o porquê de estar escrevendo cartas a uma pessoa 'anônima' - que, no caso, é você, leitor. 


Logo no início da história, lemos que no ano anterior o melhor amigo de Charlie se suicidou e que isso, com certeza, deixou graves marcas em todo o antigo grupo (as duas meninas que também eram amigas do menino e um outro fulano). A partir desse momento, Charlie se viu abandonado na escola, já que todos os outros alunos achavam que o garoto era estranho e avulso (ele era, na maior parte do tempo haha), mas somente até encontrar Sam e Patrick.

Os três começam a ficar 'amigos' e acredito que essa seja uma das maiores realizações de Charlie, já que todos na escola ignoravam o garoto e, enfim, ele não tinha amigos.

Preciso confessar que me achei extremamente parecida com Charlie - não sei se isso é bom ou ruim, até agora q - principalmente na questão da timidez (eu sempre tive dificuldades de falar com as pessoas, seja pessoalmente ou até por telefone) e dessa forma de enxergar a sociedade. O Charlie tem uma sensibilidade incrível, quase infantil, de tudo o que o cerca e consegue tirar conclusões que o restante nem sempre pensa.

Charlie é um dos personagens mais fantásticos que eu já encontrei e acho que foi realmente o único que me tocou, durante toda a leitura, de uma forma surpreendente. Eu ri e fiquei triste com ele (não chorei, é raro um livro me fazer chorar), e ao mesmo tempo fiquei surpresa quando ele ficava, já que sua escrita era tão simples e normal, que deixava extremamente claro o que ele estava sentindo (e fiquei com raiva que ele ficou também).


Como eu disse, a escrita de Charlie é simples, infantil e bem clara. Você consegue entender perfeitamente o que ele está querendo dizer, sem ironias e sem joguinhos de frases. É impressionante ler o livro porque o menino fala de assuntos tão... importantes com uma simplicidade assustadora.

Na realidade, parece que Charlie nunca estava presente.

Durante todas as descrições, momentos e falas, Charlie nunca pareceu estar presente. Era como se boa parte do livro estivesse através de uma névoa, e o garoto fosse uma marionete de si mesmo. Ele era praticamente um robô, sem vontade própria - quer dizer, ele tinha vontade própria, mas por algum motivo (não pretendo revelar) ele não queria 'exercer' essa vontade.

Charlie passava a maior parte do tempo lendo e tentando se acalmar de acessos de fúria (o que me fez lembrar bastante de Pat, de O Lado Bom da Vida, que sofria praticamente dos mesmos acessos). O garoto não tinha muito controle emocional e sempre que se sentia muito feliz, triste ou magoado, ou frustrado, ou, enfim, com algum sentimento que não fosse monótono, ele estava chorando e lá estava Sam, pronta para acalmá-lo (aliás, por causa da capa e do maldito filme, não consegui imaginar Sam uma única vez diferente da Emma. Fazer o quê? haha).

Falando em livros, acho que seria interessante colocar aqui os livros que são mencionados e que foram 'lidos' por Charlie: Uma Ilha de Paz [John Knowles]; Walden [H.D. Throreau]; O Sol É Para Todos [Harper Lee]; O Grande Gatsby [F. Scott Fitzgerald]; Peter Pan [J.M. Barrie]; A Nascente [Ayn Rand]; Hamlet [William Shakespeare]; Almoço Nu [William S. Burroughs]; Este Lado do Paraíso [F. Scott Fitzgerald]; Pé na Estrada [Jack Kerouac]; O Estrangeiro [Albert Camus]; O Apanhador no Campo de Centeio [J.D. Sallinger].

Ele também se interessa muito por música e parece apaixonado por Asleep, dos Smiths <3


Por conta do livro incrível, pretendo ver o filme (coisa que, provavelmente, foi o contrário para muitos dos novos leitores de Vantagens: a maioria viu o filme e, só então, descobriu ser uma adaptação. Uma bela adaptação, aliás, já que o próprio autor foi o roteirista, tendo como resultado um filme impecável e fiel ao livro - pelo menos é o que ouvi falar e é o que imagino).

Esse livro tem ótimas tiradas, ótimas frases de reflexão e mostra momentos que são maravilhosos para pensarmos em nossas próprias vidas. Uma das frases que Charlie fala, a mais famosa de todas, é "Eu me sinto infinito". Eu não sei explicar porquê, ou como, mas eu consegui compreender perfeitamente bem o que ele quis dizer. Na verdade, o próprio Charlie explica o que a frase dele quer dizer, durante o livro, mas naquele segundo em que li a cena e a frase... Eu compreendi.

E percebi que já havia sido infinito algumas vezes. E acredito que tenha sido essa a intenção dessa frase (mesmo que tenha sido "sem querer", como geralmente acontece na vida real: soltamos uma frase meio maluca, meio "sem sentido" e segundos depois percebemos o quão genial ela é), nos mostrar que precisamos nos sentir infinitos e que, ao menos uma vez, isso nos fará extremamente bem.

Andei lendo em algum lugar que esse livro foi baseado em alguns amigos e 'experiências' do autor. Não sei se é verdade e nem estou aqui para especular esse tipo de coisa, mas queria dizer que, se for verdade, esse tal de Stephen teve uma vida e tanto.

Bem, recomendo As Vantagens de Ser Invisível. Cada cena é imperdível - eu queria poder dar spoiler aqui e falar sobre cada uma delas, sobre cada tirada de choro de Charlie, sobre cada momento bom e ruim, mas acho que não seria legal - e cada frase toca você de uma forma - seja achando Charlie um fofo, seja pensando que ele não merecia isso.

Espero que vocês leiam. Sintam-se infinitos. Por favor.