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22 de junho de 2014

O Que Eu Andei Lendo - Parte 3



    E chegamos à terceira parte do meu "O Que eu Andei Lendo", que foi feita nas minhas férias e - eu espero - tenha bastante complementos até o final do ano. Aliás, falando em complementos literários, eu pretendo fazer minha "Caixa de Correio" com uma LINDA edição de 'O Hobbit' que ganhei de amigo secreto.

    De qualquer forma, aqui vamos para os dois livros. Acho que um deles ficou bastante famoso por conta de um certo filme que foi lançado faz pouco tempo, enquanto que o outro não é tão famoso assim, mas que pode ser interessante para muitos leitores. Aqui nós temos: Confissões de Adolescente e De Repente Dá Certo.



"O livro traz revelações íntimas de uma adolescente: o súbito interesse pelo sexo, a questão das drogas, a importância dos amigos, a relação com os pais. E a montanha-russa de emoções turbinadas pelos hormônios. Essa é a matéria-prima deste Confissões de Adolescente, da atriz e escritora Maria Mariana.
Baseada nos diários da autora, a peça homônima teve sucesso estrondoso. Lotou teatros de todo o país, virou série de TV nos anos 1990 e transformou-se em livro, com mais de 200 mil exemplares vendidos."

Autor: Maria Mariana
Editora: Relume Dumará.
Ano dessa edição: 1992.
Número de Páginas: 96, mas termina bem antes, na 62.
Minha nota no Skoob: 3/5.

    Acho que o que vocês devem mais ter reparado nesse livro foi: "mas a capa não era outra?". Na verdade, na verdade, essa nova capa que está sendo usada para divulgar tanto o filme quanto a nova edição do livro (que eu não sei se está a mesma coisa que a minha, ou se eles mudaram - acho que é provável) é uma capa nova que saiu do pôster do filme. Essa minha capa é bem mais antiga, como vocês podem ver, de 1992!

    Enfim. Claro que a nova capa é bem mais chamativa não somente por ser "mais bonita" - pelo menos eu achei - mas também por conter a total propaganda ao filme. Quero dizer, muitos leitores já perceberem que quando um filme é lançado e faz sucesso, o livro (quando é uma adaptação) faz o maior sucesso também e vende como água. Então, foi uma bela jogada de marketing, claro. Mas eu queria logo avisar que eu não sei se meu livro e o novo livro são diferentes, quão diferentes são, se são diferentes do filme, da peça de teatro, da antiga série de Tv...


(Essa é a nova capa. Todos os personagens estão colocados nela, e bem ali debaixo do 'nfiss' estão as atrizes que interpretam as "personagens" da vida real)

    Aliás, caso não saibam, Confissões de Adolescente fez tanto, tanto, tanto sucesso na época em que foi lançado que chegou até a virar uma série de televisão. Não faço IDEIA se a série tem alguma coisa a ver com a peça de teatro (que era feita - acho que até há pouco tempo atrás - pela Ingrid Guimarães e por todas as meninas antigas), se foi modificada... Enfim. Porque esse livro teve diversas adaptações, várias edições diferentes publicadas, uma bela confusão.


(Novo elenco do 'Confissões de Adolescente', o filme. Não faço ideia de quem seja quem aí, q)

    A minha edição - enfatizando que pode ser diferente no novo livro/filme/série/peça de teatro - me pareceu, na realidade, uma grande... Propaganda para a peça, para fazer com que os leitores sintam vontade de ver a peça. Afinal de contas, é uma adaptação dos diários de Maria Mariana e suas amigas, Ingrid Guimarães, Patrícia Perrone e Carol Machado. Elas realmente pegaram seus diários de adolescentes e colocaram em adaptações para o roteiro da peça! O que deixa a leitura MUITO MAIS interessante pelo simples fato de que você tem certa noção de que aquelas coisas que aconteceram foram reais, com pessoas de verdade, e que essas pessoas interpretaram suas próprias vidas de adolescentes num palco de teatro.

    Acho que isso me fez gostar tanto do livro: o fato de ter partes retiradas de verdade dos diários das garotas. Acontece que o livro me pareceu meio... Não confuso ou desorganizado, mas como se realmente fosse uma prévia da história toda que seria passada no roteiro da peça de teatro (pelo menos essa é a minha esperança, porque se a peça fosse somente essas coisas...). Claro que essa prévia do meu livro - suponto que seja realmente uma prévia - contém coisas e acontecimentos que eu nem sonharia em "explanar" pras pessoas se fosse o meu caso. São coisas bem íntimas - e divertidíssimas, claro.


(Elenco original de 'Confissões de Adolescente', peça teatral dos anos 90)

    Ele é todo escrito em 1ª pessoa e não tem exatamente uma indicação que os pontos de vista mudaram. Em uma hora, temos a Ingrid narrando e então mudamos o capitulo e temos a Patrícia. Pode ser realmente bem confuso para algumas pessoas, mas depois de um tempo relativamente curto, temos como nos acostumar com as narrativas e as próprias histórias de cada garota - além do que, cada uma tem um jeito bem diferente de agir, comportamentos bem diferentes. Então, depois que "conhecemos" as garotas, fica mais fácil de identificá-las.

    No final da minha edição, nos temos uma parte de "Fulano por ele mesmo", onde as narradoras (Mari, ou Ingrid, Patrícia ou Carol) escrevem sobre si. Elas nos contam sobre a experiência de terem participado da peça, de terem contado suas histórias para uma platéia e tal. É bem interessante, na verdade. Também temos fotos das quatro juntas e uma boa menção à série de televisão, que chegou a ser um grande sucesso.


(Acredito que esse seja o elenco da série de televisão, ou um dos milhões de elencos da peça de teatro, q. Afinal de contas, muitas atrizes já passaram pela peça 'Confissões de Adolescente', inclusive a Debora Seco)

    Claro que, hoje em dia, as pessoas se interessaram muito mais em ler o livro por conta do filme e tudo mais. O que é aquilo que eu comentei acima: as grandes adaptações cinematográficas alavancam a venda dos livros - e, para tal, é necessário sempre uma "remodelação" na capa. Enfim.

    O livro é bem divertido, tem umas cenas bem legais de se ler e mexe com temas MUITO bons, de verdade. Eu acredito que o filme tenha ficado diferente pelo simples fato de que 1) as meninas são irmãs no filme e 2) estamos no século 21, com celular, computador, msn, sms, whatsapp, facebook e todas essas 'tecnologias' que não tinham antigamente, na época que lançou Confissões de Adolescente.

    De qualquer forma, é uma leitura bem cativante e agora eu pretendo pegar a nova edição para ver quais são as diferenças - e também pretendo ver o filme, claro, e talvez escrever uma resenha aqui.


"Beatriz e Pedro são Dois Adolescentes Filhos de Pais Separados. Seus Pais se Casam Novamente,
Formam Novas Famílias. ha Muita Dificuldade de Adaptação a Nova Situação. mas aos Poucos Beatriz e Pedro vão Descobrindo Que, de Repente da Certo" 

Autor: Ruth Rocha
Editora: Salamandra.
Ano dessa edição: 1986.
Número de Páginas: 47.
Minha nota no Skoob: 2/5

    Esse livro acompanhou a adolescência de muitas, muitas meninas - e não duvido nada que o tenha feito com a minha mãe! - que passam por aquelas fases de mudança, de reconhecimento, de quando estão se descobrindo de verdade. Acho que por isso, apesar de ser tão pequenino, ele fez tanto sucesso entre as jovens.

    Aqui nós temos Beatriz que vive com sua mãe e enfrenta uma situação que, para a época, era praticamente um escândalo: pais desquitados (era como chamavam os pais separados). O desquite era muito mal visto naquela época, muito mesmo, e os filhos ficavam sempre em estado de choque quando os pais anunciavam aquela decisão. Então, acho que esse é um dos primeiros temas que a Ruth Rocha toca e explora em seu livro.

(Como dá pra notar, a envergadura de 'De Repente Dá Certo' é BEM mais fina que de Confissões de Adolescente que, como dito antes, tem somente 96 páginas)

    De fato, a história seria realmente muito melhor se, para mim, não fosse escrita de uma forma tão absurdamente juvenil ou se simplesmente não tivesse somente 47 páginas. E eu falo realmente sério sobre essa quantidade: 47 páginas. É muito pouco, na verdade, para o que eu estava imaginando para tal história. Claro, a autora consegue explorar com certa tranquilidade tudo o que ela pretende falar e tudo mais, mas faltaram muitas coisas. Muitas mesmo.

    Claro que devemos levar em conta o fato de que o livro era voltado justamente para o público juvenil e que, bem, eu estou com 19 anos e já passei por muitas leituras maduras e tudo mais. Então, acredito que se eu tivesse menos idade, passando por essa fase de mudanças, provavelmente eu iria curtir muito mais a leitura do que eu ""curti"" agora.

(A capa de 'De Repente Dá Certo' é bem legal, gostei bastante e foi um presente das minhas primas mais velhas. Ainda espero ler o novo livro de 'Confissões de Adolescente')

    Ainda falando sobre os temas, preciso dizer que fiquei bastante surpresa sobre os temas de abordagem que a Ruth Rocha escolheu. Claro que não pretendo falar sobre os mais importantes, além do desquite (que fica bem claro nas primeiras páginas), mas eles são realmente surpreendentes para a época, quando esse tipo de coisa (agora falo sobre um tema específico) era considerado ''terrível''. É bem interessante mesmo - só acho que poderia ter sido bem mais explorado, mas, fazer o quê?

    O livro é todo escrito em primeira pessoa, com imagens em algumas partes do livro (bem bonitas, pra falar a verdade) e é extremamente fino. Do tipo que você lê em literalmente meia hora (eu li em meia hora HAUHUAH), mas tem uma leitura agradável e extremamente leve, apesar da falta de "exploração" dos temas interessantes.


    Bem, essa foi a terceira parte do meu "O Que eu Andei Lendo", de férias, e no próximo eu volto com um livro que me surpreendeu de uma forma encantadora! Não sei se já ouviram falar sobre 'Sardenta', mas esse é um livro realmente espetacular. Eu não poderia esperar nada mais surpreendente.

    Até lá,

    Ana.

11 de junho de 2014

O Que Eu Andei Lendo - Parte II



    Aqui vai a 'Parte II' do 'O que Eu Andei Lendo' que, pelo que eu tenho notado, se vinculou com as minhas "Metas de 2014". Já que eu li esses livros e também estou lendo os livros da minha meta, por fora. Então, enfim, terão vários "O que eu Andei Lendo" sobre os livros rápidos e interessantes que eu peguei para ler.

    Os de hoje são bem legais, muito mesmo, e muito surpreendentes. Eu admito que eu não esperava absolutamente nada deles - e de um eu tinha até uma impressão meio ruim - mas fiquei muito surpresa com a história bem legal que foi escrita.


"Uma história contada em seis versões, em que os personagens passeiam por diferentes épocase estilos literários, numa trama muito bem tecida e envolvente. Passo a passo, o leitor colhe informações, junta detalhes, ordena os fatos, até chegar ao pleno entendimento do que realmente aconteceu."

Autor: Lia Neiva.
Editora: José Olympio.
Ano dessa edição: 1999.
Número de Páginas: 100
Minha nota no Skoob: 5/5.



    O primeiro lido foi 'A Gata do Rio Nilo', escrito pela autora brasileira Lia Neiva. É um livro muito especial e muito atraente, por conta de sua maravilhosa capa. Desde sempre eu olhava para essa gata meio egípcia e para o título e tentava imaginar que segredos e aventuras estavam escondidos nas páginas dessa antiguidade.

    O que mais me fascinou, na verdade, foi a forma como a história foi dividida. Cada capitulo da história é, na verdade, um 'ponto de vista' diferente e, ao mesmo tempo, um conto. Então, caso vocês prefiram, esse é um livro em que cada conto possui relação entre si.

    Mas o mais incrível vem por aí! Cada conto é voltado para um período literário brasileiro. Então, o primeiro conto é "Romantismo", o próximo "Realista", e o outro "Naturalista" e assim em diante. É bem legal, porque cada conto realmente varia conforme essa época, com a escrita, a história em si (o modo de contar fica diferente, inclusive) e o narrador também é adaptado a essa característica. É muito legal, especialmente para alguém que precisa, ou que gostaria de aprender sobre as diferenças entre cada época sem precisar ficar estudando por aqueles livros didáticos bem entediantes.


    Eu, pelo menos, adorei. E fui muito surpreendida, porque além da história ser 'dividida' de uma forma bem inteligente e diferente, também é uma história legal. Sem perder a capacidade de ser interessante. Gostei muito disso, e também do fato de que o conto romântico, que é o primeiro, ficou muito bom! E olhe que das épocas literárias, a que eu mais odeio é a romântica! O conto ficou espetacular, e soube deixar claro que o romantismo não conta sempre com finais felizes ou um casal romântico nojento. É bem legal.

    Os outros contos são bem estruturados e realmente dá para notar diferenças tocáveis entre as épocas literárias, mas o que eu mais gostei, sem sombras de dúvida, foi o conto naturalista porque eu simplesmente amo essa época. Os livros naturalistas - 'O Cortiço', por exemplo - me agradam bastante e a forma da escrita também. Aliás, mencionando 'O Cortiço', é legal dizer também que antes de cada conto a autora colocou trechos de certos livros que tenham a ver com a época. Então, antes do conto romântico, há um trecho de "Senhora", do José de Alencar.

    É um livro bem legal, e muito bom nessa questão do "aprendizado" sobre as épocas literárias. Recomendo muito!



"Adaptação em português do clássico da literatura russa, com linguagem acessível para o público jovem. Esse livro reúne dois contos. O relógio - Na Rússia, no início do século XIX, Alexei e seu primo vêem-se envolvidos em várias confusões após o primeiro ter recebido um relógio de prata de seu padrinho. Mumu - Guerássim é surdo-mudo e trabalha para uma senhora rica, voluntariosa, cheia de caprichos e cercada de servos. Marginalizado por todos, o solitário Guerássim se afeiçoa profundamente à cadelinha Mumu, que a tirânica senhora decide tomar para si. "


Autor: Ivan Turgueniev
Editora: Scipione.
Ano dessa edição: 1990.
Número de Páginas: 96.
Minha nota no Skoob: 5/5.


    O segundo livro lido foi "O Relógio & Mumu", do autor russo Ivan Turgueniev. Esse livro me deixou muito... Receosa simplesmente pelo fato de ser uma adaptação infantil. Quero dizer, normalmente adaptações são boas, mas quando se tratam de adaptações infantis ("Turgueniev para crianças") as histórias são modificadas de tal modo, que sequer se parecem com os originais.

    Assim sendo, entrei com um pé atrás no livro.

    Ele é dividido em duas histórias diferentes que não têm nada a ver uma com a outra. Elas são, obvia e respectivamente, 'O Relógio' e 'Mumu'. E são escritas de uma forma... Bem sofisticada, com uma linguagem não tão complexa, mas ainda assim rebuscada e me fez lembrar muito de Os Miseráveis, do Victor Hugo, que possui uma linguagem exatamente assim.

    Mas, de uma forma ou de outra, eu não poderia ter ficado mais surpresa! A primeira história, 'O Relógio', me surpreendeu de tal forma que eu me apaixonei perdidamente pelo livro. Além da escrita ser extremamente atraente - adoro linguagem rebuscada - e da história não ser nem um pouco futil, desinteressante ou sequer infantil, essa adaptação se mostrou muito boa - pelo menos é o que eu acho (rs). A história da adaptação não ficou nem um pouquinho "infantil demais", na realidade, eu fico imaginando se a classificação etária para "infantil" não estaria meio equivocada, porque eu imagino que crianças não se sentiriam confortáveis lendo uma história assim - que, apesar de possuir um enredo relativamente não muito agressivo ou, enfim, violento e sangrento, ainda tem uma linguagem "complexa" para crianças e também um clima meio... Pesado.



    A história, em si, é fantástica. Realmente muito boa, e eu fico muito, muito curiosa sobre o original. Eu gostaria muito de lê-lo, muito de verdade!

    Passando para a segunda história, 'Mumu', eu preciso admitir que fiz a pior coisa que poderia fazer: entrei cheia de expectativas. Mas, felizmente, elas não foram desmanchadas ao vento. Na verdade, 'Mumu' me pareceu uma história muito, muito mais pesada que 'O Relógio' - ao menos levando em conta que isso é uma adaptação infantil.

    E aviso de cara: caso você seja uma pessoa, bem, como eu e já morre do coração caso qualquer mínima coisa levemente ruim aconteça com animais... Acho melhor se preparar psicologicamente.

    Eu sou muito, muito sensível com animais em histórias/filmes/HQs/todo o restante e fico sempre muito abalada quando qualquer coisa aconteça com eles. Sabe aquela pessoa "pode morrer todo mundo, só não toque no cachorro"? Pois bem. Essa sou eu. E eu fiquei extremamente sensível com a história que fala sobre Mumu, a cadelinha encontrada pelo mudo gigantesco e gentil trabalhador de um Palácio Russo.

    O homem encontra Mumu perdida por aí, ainda um bebê, e trata de cuidar dela. Os dois criam uma relação muito especial, mas os latidos da cachorrinha incomodam a velha rica que vive no Palácio.



    De uma forma ou de outra, a história também é bem estruturada, muito interessante e bem escrita - ainda com aquela linguagem rebuscada lindona. Possui um final um tanto quanto... Triste (lágrimas) e que me deixou abalada por horas a fio.

    Eu preciso dizer que fiquei muito surpresa com o livro, no geral, porque eu simplesmente não esperava nada de bom ou interessante. Esperava somente uma historinha infantil sem graça, cheia de uma linguagem extremamente infantil, letras garrafais gigantescas e tudo mais. Porém, felizmente, eu estava completamente errada!

    Recomendo muito esse livro, e caso queiram saber mais sobre ele... Podem acessar a minha resenha completa no skoob.


7 de março de 2014

O Que Eu Andei Lendo - Férias :D



Pois é, pois é. Eu havia anunciado há algum tempo que iria fazer um "O Que Eu Andei Lendo" de férias, com alguns livros antigos e outros que caíram no gosto do povo por conta de certos filmes (como "Confissões de Adolescente", por exemplo).

Algum tempo se passou e agora começarei a postar as resenhas sobre cada dupla de livros. A primeira, como eu acho que havia dito, é "Tudo Ao Mesmo Tempo Agora" e "O Esqueleto das Amazonas". E eu acho que quem gosta de uma história simples e cativante ou de uma mitológica deveria ficar para ler este post!


 "O livro conta a história de um menino chamado Jajá, filho de um porteiro e uma atendente de caixa de supermercado. Ele é de família humilde mas estuda em um colégio de classe alta graças a uma bolsa de estudos.

Jajá enfrenta vários problemas na escola relacionados com preconceito. Ele é um ótimo aluno com notas altas e não gosta de injustiças. Por esse motivo, ele ganhou o apelido de Jajá, o justiceiro. O garoto enfrenta ainda outros problemas como a necessidade de abandonar sua escola para vir ajudar no sustento da família.

Jajá é apaixonado por surfe e têm uma pequena oficina improvisada de conserto de pranchas de surfe na garagem do prédio onde mora. Com o dinheiro que ganha, compra equipamentos para surfar.
A vida de um menino pobre que convive com pessoas ricas no seu dia-a-dia. Durante todo um ano, uma turma de amigos enfrenta questões inesperadas com valentia."


Editora: Ática.
Ano: 1997

Esse é um daqueles livros que te deixam surpresos, meio chocados com o fato de ter uma escrita fácil, leve e rápida e abordar temas tão absurdamente interessantes quanto a injustiça e como a 'justiça' não tem somente um lado, mas sim diversas faces.

De fato eu preciso dizer que, no começo, não achava que o livro fosse me surpreender tanto assim ou que ele sequer fosse tão legal ou interessante, mas no final da leitura me vi obrigada a dar pelo menos 4 estrelas para o exemplar. Afinal de contas, Ana Maria Machado consegue nos transportar para um Rio de Janeiro de alguns anos atrás, cuja situação política e social era, acreditem, muito parecida com a nossa.



Ao ler sobre a injustiça de Jajá não poder terminar o segundo grau (que, eu acho, é o nosso Ensino Médio atual) - porque seu pai quer que ele saia da escola para trabalhar - e sobre a situação das escolas públicas, o descaso dos políticos para com a educação, e até mesmo a pequena "greve de estudantes", eu me senti muito próxima à nossa realidade. É interessante, e levemente triste, observar como as situações de 1997 e 2014 são TÃO parecidas!

O que me faz pensar que o terceiro livro de Os Miseráveis - Marius - me deu uma sensação realmente muito parecida. Na realidade, enquanto lia Marius, eu não conseguia pensar em outra coisa que não as revoluções, e a guerra nas ruas em busca de uma nova realidade, uma nova cara para o país. Isso foi muito legal. Eu, particularmente, amo essa conexão entre livros e a realidade.

Voltando ao livro, rs, eu devo dizer que não conseguiria imaginar um enredo ou cenário mais encantadores do que o Rio de Janeiro, minha cidade Maravilhosa, com o Sol forte, as praias, o mar, e toda a história de surfe e férias de verão - porque, durante um período da história, acompanhamos os personagens de férias! - e devo dizer que os próprios personagens contribuíram muito para esse sentimento. São personagens simples, comuns e bem construídos, de fato, e que nos fazem mergulhar na história de cabeça. Eles narram a história de maneiras diferentes, sempre em 3ª pessoa.

Sim, não tem nada muito complexo, mas acho que isso me deixou encantada na história. Coisas comuns, uma situação do dia-a-dia, o esforço de um menino pobre, a vida de verdade. Gosto disso.

Tudo Ao Mesmo Tempo Agora, da Ana Maria Machada, é um livro surpreendente e eu acho que deveria ser lido por muitas pessoas. Com certeza todos irão adorar a escrita fácil e rápida, divertida, a história simples e gostosa de ler, com todo esse clima de férias, justiça e Sol!









"´Povos da floresta´ - a expressão que faz lembrar os velhos álbuns do Fantasma Voador está agora em uso corrente depois que a Amazônia passou a ser tema prioritário no rol das grandes e nervosas preocupações internacionais. Mas são exatamente os povos da floresta amazônica reais ou lendários, o assunto deste livro. O cenário grandioso, os costumes, as lendas, os mistérios. E é esse elemento mitológico o apelo mais forte, a sedução, o fascínio dessa região tão pouco conhecida tanto para o resto do mundo como para nós mesmos."

Editora: José Olympio
Ano: 1991




Acho que quem gosta de mitologia grega deve ficar atento a esse livro, porque nele vamos caçar pelas terras brasileiras vestígios das antigas Amazonas, as mulheres gregas que não viviam com os homens, lideradas pela Hipólita, filha de Ares, cujo cinturão foi roubado por Hércules em um dos seus doze trabalhos.

O livro é BEM pequeno, pelo que me lembro não passa nem de 100 páginas, e já começamos com a intriga formada: o tal cientista pensa ter encontrado vestígios de ossos do que poderiam ser as antigas Amazonas, com toda a sua 'certeza' baseada em alguns fatores, como alguns ossos modificados por conta do uso constante do arco, o quadril indicando que os fósseis são de mulheres, e alguma coisa que indicava a falta do seio esquerdo (na lenda, dizia que as Amazonas decepavam o seio esquerdo para poderem atirar melhor com o arco. O que até faz sentido). Para encontrar o local onde as Amazonas poderiam ter vivido, o cientista contrata o Gavião, um homem aventureiro que está sempre disposto a ajudar.


A escrita do Assis Brasil é bem rápida e fácil, e há uma imagem nova a cada capitulo. O que, particularmente, eu até acho interessante para ilustrar o que pode acontecer (um livro que é assim é Vida Encantada, primeiro livro de Os Mundos de Crestomanci. Alguém já ouviu falar?).

Infelizmente, eu devo avisar de cara que a história só é interessante por conta de toda essa temática grega. O enredo, em si, é meio decepcionante e as citações bíblicas me irritavam profundamente (não gosto desse tipo de coisa. Fale sobre qualquer coisa, menos religião no meio de uma história fictícia. Obrigada, de nada), e me deixavam ansiosa para o suposto encontro com as Amazonas!

Confesso que criei muita expectativa (ora essa, temática grega há séculos atrás! Toma essa Rick Riordan, você com certeza não foi o pioneiro. Antes de você, bem antes, já tinha um brasileiro escrevendo sobre isso), e acabei me decepcionando, E MUITO, com o final. Esperava algo mais... Instigante, talvez mais fantasioso. Ok, Assis Brasil acertou bastante no final, foi bem lógico e condizente com o livro e a situação real, mas, ainda assim...

De qualquer forma. O livro vale à pena ser lido, porque ele é bem inspirador (eu, particularmente, fiquei muito tentada a escrever algo do tipo. Não sei, uma fanfic talvez. Seria bem legal), e eu gosto dessa temática de paleontologia/mitologia.


Muito bem. Espero que tenham gostado desse breve "O que eu andei lendo", sobre esses dois livros que são, respectivamente, muito interessante e reflexivo e de muitas expectativas, mas pouca realização. Acredito que devam ser lidos, porque toda leitura vale à pena, sempre tem algo bom ou produtivo a ser tirado de algum livro.

Voltarei em breve para o próximo O Que Eu Andei Lendo, sobre dois livros que deveriam fazer o maior sucesso! "O Relógio & Mumu" e "A Gata do Rio Nilo". Dois livros nem um pouco decepcionante, com histórias maravilhosas e surpreendentes!

Nos vemos em breve,

Ana :D